Opinião – Sobre as cartas abertas

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Ricardo Castanheira

Liderada pelo ex-Presidente da República, Mário Soares, foi esta semana tornada pública uma carta dirigida ao primeiro-ministro, Passos Coelho – com conhecimento ao Presidente da República Cavaco Silva – a exigir a mudança no rumo das políticas seguidas, sob pena de deverem ser retiradas as consequências dessa teimosia: ou seja, a demissão do chefe do Governo de Portugal.

Mário Soares, cuja natureza e propensão para a intervenção cívica permanente o impedem (e muito bem) de estar silenciado seja em que circunstância for, foi o primeiro signatário de um documento simples mas objetivo no retrato devastador das medidas governativas dos últimos 24 meses e da obsessão autista do atual governo.

Por ser verdadeiro e pertinente o diagnóstico feito na carta aberta somaram-se de modo fácil dezenas de outros subscritores, desde ex-ministros, a intelectuais, passando por académicos, artistas e escritores. Sobretudo de esquerda, mas não só.

É mais um apelo cívico, por isso merece absoluto aplauso. Quando subscrito por tanta gente importante do Portugal contemporâneo merece ser lido com mais atenção ainda.

A carta em apreço é mais um diagnóstico do país. E este está feito há muito. É repisado diariamente em colunas de opinião nos jornais e nas televisões. Tantas vezes por alguns dos subscritores da dita carta. Acontece, porém, que aquilo que o país precisa e carece é de quem lhe aponte um rumo. Um caminho diferente. Uma luz de esperança. Um programa de salvação nacional.

O que verdadeiramente me alegraria era ver um documento consistente assinado por muitas daquelas personalidades com propostas concretas para superar a crise, relançar o emprego e estimular a economia nacional. Com ideias agregadoras e consistentes que juntassem em torno de si os milhares que se concentram nas ruas em contestação. Mais do que um diagnóstico uma terapia. Finalmente – e isso seria a cereja no bolo – que muitas dessas personalidades se disponibilizassem para serem atores ativos e não meros comentadores ou subscritores de cartas abertas.

Portugal precisa de quem agite e de quem se indigne. Mas precisa muito mais de quem lidere com tenacidade, imaginação, sentido de estado e profundo humanismo uma mudança. E isso não se alcança apenas com cartas abertas…

 

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