Reitor descontente com encerramento de Correios na Universidade de Coimbra

O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, afirma que o encerramento da estação de correios no seu Polo I, no final da próxima semana, vai causar “transtornos relevantes”, e lamenta o procedimento adotado pela empresa.

“É uma decisão unilateral, e nem sequer compreendemos a lógica subjacente”, declarou à Lusa, lamentando que estando os Correios a utilizar instalações universitárias, por arrendamento, “não tenha havido uma tentativa de conversar”.

No entendimento de João Gabriel Silva, trata-se de “uma estação de manifesta utilidade para o Pólo I”, onde ainda se concentram todos os serviços administrativos da universidade, uma parte das faculdades, e outras estruturas como a Biblioteca Geral e o Museu da Ciência.

Uma fonte da Universidade de Coimbra revelou à agência Lusa que a administração dos Correios comunicou a rescisão do contrato de arrendamento das instalações da estação, ficando a pagar renda por mais meio ano, até à extinção desse vínculo.

Com o encerramento da Estação dos Correios da Universidade, no próximo dia 29, elevam-se para três as que na cidade fecham as portas este mês. Há poucos dias foram as de Santa Clara, e a emblemática do Mercado, onde durante décadas estiveram instalados os serviços centrais de correios e telecomunicações.

“As mudanças na rede de balcões resultam do sobredimensionamento e redundância da oferta de serviços de correio na cidade, onde nos últimos anos se verificou uma acentuada quebra na procura dos serviços”, explicou à agência Lusa uma fonte oficial dos Correios.

Henrique Santos, coordenador da Beira Litoral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações referiu que neste processo a administração da empresa “tem agido pela calada”, e quando a sua organização tenta contrariar os encerramentos “já é tarde”.

A mesma fonte dos Correios salientou que com os encerramentos não tem havido despedimentos, mas transferência para outras estações. Contudo, o sindicalista diz que os trabalhadores, quando se enquadram no programa de pré-reformas, são convidados a aderir.

“Recolocam os trabalhadores noutros locais, mas mais tarde teremos excedentes”, afirma à agência Lusa Henrique Santos, admitindo que nessa altura possam avançar rescisões de contratos.

No final do mês de junho, o eventual encerramento das estações do Mercado e Santa Clara foi dada a conhecer pelo presidente da Câmara Municipal aos restantes vereadores do executivo, mas como algo que não aconteceria nos dias seguintes, como veio a suceder.

“Encerrar estações de correios é uma diminuição dos serviços às pessoas”, declarara na altura João Paulo Barbosa de Melo, frisando que a Câmara iria empenhar-se para que tal não sucedesse, e que no caso da do Mercado a autarquia poderia ceder instalações.

O encerramento das estações apanhou de surpresa autarcas e o reitor da Universidade de Coimbra e o sindicato, mas Henrique Santos afirma saber que “há mais na calha”.

“Poderá haver ajustamentos na rede de modo a adequar a oferta de serviços à procura por parte da população. Atualmente, no concelho de Coimbra existem 35 balcões dos CTT, entre 16 Estações e 19 Postos, a que somam 27 Lojas PayShop, que asseguram a cobertura na prestação do serviço postal”, reconheceu a fonte oficial dos CTT.

One Comment

  1. Isabel Santos says:

    É com grande consternação que vejo, na minha cidade, encerrar as suas portas a estação dos Correios do Mercado. Será que era mesmo necessário chegar a esse ponto, senhores chefes desta instituição que se dá o nome de CTT. E porque não chega, também os balcões de Sta Clara encerraram, quando esta zona é habitada por um grupo, já bastante idoso e sem recursos para se deslocar para a Estação da Rua da Feitoria dos Linhos, ao Rossio. Meu Deus onde vamos chegar? Será que já nem a solicitude dos habitantes e da Autarquia Local merecem o aval destes senhores. Onde vamos chegar???

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*