Horácio Antunes é o único a avançar para a Federação

DIÁRIO AS BEIRAS – Muitos nomes se falaram para concorrer à federação, mas acabou por ser o único candidato. Sentiu essas movimentações?

Horácio Antunes – Falou-se muito de outras possíveis candidaturas e elas estiveram no terreno. Aliás, eu próprio fui contactado por várias. No entanto, o problema era perceber quem estava disponível para avançar com os novos ou com os atuais estatutos. Até nós fomos apanhados um pouco de surpresa pelo anúncio das eleições para 5 de fevereiro. Houve logo uma reunião a 18 de dezembro e depois aquela em Leiria.

P – Foi nessa altura que decidiu avançar?

R – Nessa altura ficou decidido que, independentemente de tudo, as associações se deviam antecipar e fazer uma lista para não serem surpreendidas. Ficou também definido que eu seria o presidente e que deveria contactar todos os sócios e foi isso que fiz.

P – Como foi recebido pelos restantes sócios da federação?

R – Desses contactos resultou uma boa aceitação quer dos jogadores, quer da Liga, dos árbitros e dos treinadores, mas veio a verificar-se que o apoio só seria válido com os novos estatutos aprovados. Aliás, até foram estes que depois entrepuseram uma providência cautelar para que o período eleitoral fosse anulado e agora estão a tentar um tribunal arbitral.

P – E foi essa questão a causadora do diferendo que agora existe entre o presidente da assembleia-geral (AG) e o presidente da federação?

R – O presidente da AG quer cumprir os estatutos e realizar as eleições. Para o tribunal arbitral, o presidente da federação nomeou um juiz que é funcionário da federação e, portanto, é normal que ele defenda quem o elegeu. Portanto, à partida, os dados lançados permitem a que qualquer pessoa perceba qual será o resultado final. Há aqui um problema ético.

P – Pensa que este tribunal ainda vai reunir em tempo útil?

R – Julgo que, tal como tudo o resto nas últimas semanas, vão surgir pressões para que tudo se resolva o mais rapidamente possível.

P – Qual será a sua primeira preocupação quando for eleito?

R – Temos de terminar com todo este imbróglio que se criou e, de uma vez por todas, aprovar os estatutos. Mas há outras coisas que queremos fazer, tal como a realização de um congresso de futebol bianual e criar o lugar de diretor técnico nacional. Toda a gente diz que deve ser o selecionador a mandar no futebol nacional, mas isto tem de ser feito por um técnico com experiência máxima no futebol nacional e que estabeleça a política de desenvolvimento do futebol nacional. Que defina a formação para treinadores, árbitros, dirigentes, etc.

P – Porque diz que este é um mandato de transição?

R – Penso que, depois deste mandato, equando a adequação dos estatutos estiver feita, então teremos de fazer eleições para um período normal, que será de quatro anos, acompanhando os ciclos dos mundiais.

P – Que leitura tem feito da relação entre o atual presidente Gilberto Madaíl e o secretário de Estado do Desporto Laurentino Dias?

R – Sempre houve uma grande ligação entre os dois. Esse entendimento sempre foi claro e foi-o também na altura da apresentação da candidatura para o campeonato do mundo. Aliás, muitas questões que têm que ver com os estatutos têm a ver com vontades de Gilberto Madaíl. Houve sempre uma grande afinidade e houve mesmo situações que podiam ter sido evitadas se, quando se fizeram as leis, se tivessem ouvido todos os interessados.

P – … mas chegou a convidar Madail?

R – Pedi para convidar o Gilberto Madail, porque estava na federação e na FIFA, salvaguardando assim todos os interesses, para além de ser um dos dirigentes do mundo do desporto mais importantes nos últimos anos. Tal como eu o convidei, também o senhor presidente da Câmara de Sintra o convidou… e ele também não aceitou. Portanto, estou perfeitamente convencido de que ele quererá encabeçar uma lista para a federação, quando os novos estatutos estiverem aprovados. Mas, pese embora o trabalho positivo que muitos lhe reconhecem, penso que está na altura de se mudar para uma direção mais renovada e ambiciosa, para se poderem mudar algumas coisas.

P – Escolheu para esta lista pessoas com provas dadas, mas também pessoas da sua confiança, como Vaz de Castro e Sampaio e Nora…

R – Tentei contar com toda a gente que já fazia parte dos atuais corpos sociais da federação. Muitos aceitaram e continuam, outros aceitaram e depois tiveram de recuar quando as suas associações retiraram o apoio a esta candidatura. Mas, no caso do Conselho de Justiça (CD), por exemplo, foi entendimento de todas as associações, aquando da reunião de Leiria, que este ficasse intocável. Assim foi, mas saíram depois elementos de Aveiro e Lisboa. Quanto ao CD, inicialmente também todos aceitaram continuar, mas depois o seu presidente saiu e arrastou alguns com ele. Decidi substituir por alguém da minha confiança, como é o Vaz de Castro, que tem mais que provas dadas.

P – Resumindo, julga ter encontrado uma boa lista?

R – Penso que temos uma lista forte, moderna, atualizada e conhecedora das coisas que vai gerir.

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