Correia da Fonseca garante apenas “um bom sistema de mobilidade”

O secretário de Estado dos Transportes admite que o Governo “não tem hipóteses, neste momento”, de investir os 455 milhões de euros previstos para o Metro do Mondego, mas irá garantir um bom sistema de mobilidade” na zona.

Em declarações à Lusa, Carlos Correia da Fonseca, que se reunirá hoje com o governador civil de Coimbra e os presidentes das câmaras de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo, destacou a necessidade de encontrar uma forma de assegurar a mobilidade das populações – através do metro, o que implicará um “grande tempo de construção”, ou de outro processo mais rápido que esses municípios escolham.

“Não há recursos neste momento para conseguir assegurar, com o ritmo que estava previsto, um investimento da ordem dos 455 milhões de euros, não temos hipóteses neste momento de o fazer”, afirmou o governante.

“De qualquer maneira, fizeram-se obras na plataforma e esperamos continuar obras na plataforma, mas não podemos é garantir que vamos já assentar carris, pôr catenárias e preparar tudo para termos o metro dentro de pouco tempo”, acrescentou.

Sublinhando que as dificuldades financeiras requerem seleção de investimentos, Correia da Fonseca explicou que o projeto do Metro do Mondego serve as populações e é sustentável do ponto de vista ambiental, mas vai traduzir-se num défice de exploração anual de largos milhões de euros, difícil de comportar na atual conjuntura.

Por isso, a obra não pode ser definida como prioritária, mas será possível “dilatar no tempo” a sua concretização, caso as populações queiram prosseguir com o projeto.

Segundo o secretário de Estado, estão a ser estudadas todas as alternativas possíveis e a curto prazo será tomada uma decisão conjunta.

O responsável acredita que poderá ter havido um erro da interpretação da Lei do Orçamento do Estado, ou seja, que se tenha concluído pelo fim do projeto por o documento prever a extinção da empresa Metro do Mondego.

“O Orçamento diz que há extinção e incorporação do seu objeto na Refer, portanto o objeto continua a existir”, disse, lembrando que a empresa era “desproporcionada” a nível de custos e pessoal.

Segundo dados do ministério, o projeto que tem sido apresentado (um metropolitano ligeiro de superfície na linha ferroviária da Lousã e em Coimbra) teria anualmente proveitos de 7,9 milhões e custos de 12,1 milhões de euros, a que se somariam quatro milhões anuais para amortização de material circulante e 20 a 30 milhões anuais de serviço da dívida.

A tutela diz que, além de os estudos apontarem para uma “procura que dificilmente justifica um sistema de metropolitano ligeiro”, há que saber até que ponto os estudos “não sofrem de otimismo”.

No domínio rodoviário, o Governo investiu no distrito de Coimbra 500 milhões na concessão Pinhal Interior (que receberá mais 744 milhões) e mais de 160 milhões noutras empreitadas concluídas entre 2007 e 2010.

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