Falta de segurança pode incriminar empreiteiro no caso dos dois homens soterrados

Posted by

A estrutura metálica ainda ali está, encostada a uma oliveira. A meia dúzia de metros, fitas amarelas e verdes, da GNR, balizam a vala, onde morreram duas pessoas, no sábado, dia 11. O escoramento ficou por fazer e um súbito desabamento de terras soterrou Luís Barra, residente em Santo Varão, e Pedro Cristóvão Freire, de Figueiró dos Vinhos.

A tragédia abriu, no sábado à noite, os telejornais e fez, ontem, a capa dos jornais domingueiros. Em todos, sem exceção, a tónica é colocada no desrespeito flagrante pelas mais elementares regras de segurança.

A obra, recorde-se, decorria em plena EN 110, no lugar de Monte de Bera, freguesia de Almalaguês. Em causa uma empreitada de saneamento básico, que consistia na colocação de condutas subterrâneas sob a via – o que, naturalmente, implicava o respetivo corte à circulação. Aliás, ao que foi possível apurar, esta terá sido uma das razões da escolha de um sábado para a intervenção.

Ontem, entretanto, o dono da obra, a Águas de Coimbra (AC), anunciou que vai, hoje mesmo, analisar uma eventual responsabilização legal da firma adjudicatária da obra.

O presidente da empresa municipal, Marcelo Nuno – que, no sábado, fez questão de se deslocar ao local do acidente –, disse à Lusa que irá “estudar o assunto com os juristas” da Águas de Coimbra, uma vez que a adjudicatária “não cumpriu” várias imposições legais.

Segundo Marcelo Nuno, a adjudicatária – José Marques Grácio, de Alvaiázere – não informou a AC da obra num sábado. E lembrou que a laboração fora do “período normal” é de informação obrigatória, para que a dona da obra “possa autorizar, acompanhar e fiscalizar” os trabalhos.

Marcelo Nuno disse à agência Lusa ter conversado na ocasião com Marques Grácio, que, por sua vez, alegou “não ter tido conhecimento” prévio da ida dos trabalhadores para a obra.

“As coisas parecem muito evidentes”, sublinhou Marcelo Nuno, indicando que caberá agora à Inspeção de Trabalho verificar em que condições ocorreu o acidente. Durante o dia de ontem, o empresário José Marques Grácio esteve sempre incontactável

4 Comments

  1. Antes de mais os meus sentimentos à família principais sofredores desta tragédia , mas também à própria empresa e sociedade que fica a perder com mais este acidente mortal de trabalho . Que nos deve fazer pensar a todos, nunca se pode facilitar mas, mesmo cumprindo todas as regras à sempre uma faixa de imprevisto que ninguém consegue controlar… o meu respeito à empresa que tenta cumprir as regras mas ás vezes os próprios trabalhadores facilitam … quanto à dona de obra é o retrato do estado "não sabia …" e claro que a JMG não pode reclamar pois precisa de mais trabalho. A cultura de segurança tem que começar nos bancos da escola primária , mas o governo prefere cortar no ensino para aplicar no TGV …. infelizmente estes acidentes não acontecem só aos outros!

    • eu conhecia o encarregado da obra desde que ele nasceu andei com ele ao colo e sei bem que ele era uma pessoa em que segurança era com ele. ele não era pessoa de andar com a cabeça no ar. sei que nem sempre é fácil cumprir todas as regras de segurança como elas são exigidas porque em certos trabalhos as próprias condições impossibilitam aqui não sei se era assim ou não. O que sei é que este rapaz vai fazer muita falta aos pais pois eles são uma familia humilde e que não têm grandes recursos. A mãe têm uma dificiência numa perna no qual é obrigada a andar com uma prótese e o pai está em risco de ficar cego de uma vista também por causa de um acidente de trabalho. O que peço é que quem os conhece que os ajude neste momento tão dificil e rezo que ajuda finaceira não tarde em chegar para eles poderem pagar todas as despesas que aí vêm. Esse dinheiro não trás o bem mais precioso deles que era o filho mas ajuda a eles agora a sobreviver porque eles têm dificuldades.

      • De facto é de lamentar o sucedido mas neste momento já nada podemos fazer. O Pedro de facto era um dos mais responsáveis e dedicados da empresa em questão neste momento, mas facilitou nem sei porquê, é isso o que me revolta mais. E não condenem a empresa porque eles proporcionaram todas as condições para o trabalho ser executado na devida segurança. E é de lamentar a posição das Águas de Coimbra, vê-se perfeitamente que estão a mentir ou que sabiam de alguma coisa…. è claro que todos iram apoiar os pais do pedro e os irmão do Luis. E ânimo amigos da JMG, estejam unidos que iram ultrapassar este momento dificil. E não facilitem nunca…

  2. É lamentável o que aconteceu, mas quem anda nesta área sabe bem dar o valor. Por muito cuidados que se tenha, há sempre um grande risco de acontecer uma tragédia. Os meus sentimentos às familias e amigos

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*