Igreja do Convento transformada em Centro de Artes

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25 anos depois da aquisição, por parte da autarquia, do Convento de S. Francisco, eis que o calvário do futuro daquele espaço terminou. A partir de hoje, têm início as obras que vão transformar um edifício do século XVII no futuro espaço cultural e de convenções da cidade.

Mas se a espera durou um quarto de século, para tal muito contribuíram os anos em que se chegou a falar na sua transformação em World Trade Centre e os “nove longos anos” que durou a decisão de ali criar uma sala de espetáculos com cerca de 1.200 lugares, o aproveitamento dos dinheiros do Fundo do Turismo, a colisão da área de proteção do convento, a espera para a publicação da portaria, a aprovação da candidatura por parte do Programa Operacional de Valorização do Território (POVT) nos fundos comunitários para o período 2007-2013, a realização do concurso público e o necessário visto do Tribunal de Contas.

“Este é o último ato material que falta antes da execução da obra”, afirmou Carlos Encarnação, mostrando a ambição de que a obra comece hoje. “Sei que esta é uma realização essencial a Coimbra. Sei que representa a força de um desejo coletivo. Sei que será um sonho realizado”, afirmou.

O presidente da câmara não esquece o mérito que a sua equipa autárquica teve para alcançar este objetivo. Um esforço de preserverança, insistência, “de vencer todos os obstáculos, de não desistir”. Afinal, e como referiu, em causa estava a construção de “uma valência contemporânea com o recurso a um bem histórico-cultural e desenvolver as potencialidades de toda uma área muito significativa de Coimbra”.

Nova visão

Apesar da satisfação evidenciada com a consignação da obra, Carlos Encarnação aproveitou a cerimónia para “manter a ambição e capacidade criativa”. “Imaginámos um novo desafio que passa pela colaboração entre a Comissão de Coordenação e desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C), o POVT, a Diocese e a Câmara”, disse. A ideia, como lembrou o autarca, já tem proposta elaborada e prevê a “recuperação da Igreja do Convento como Centro de Artes, designadamente de arte contemporânea, que permita a realização, nela, de atos culturais”.

Se o projeto tiver luz verde, como acredita, o presidente da câmara garante que a cidade, “terra na qual a ação da Igreja foi determinante no apoio às artes, celebrará, no nosso tempo, com esta iniciativa, um casamento perfeito inovador”. “Um desafio, outro desafio, para ganhar”, frisou.

Exemplo para o país

Importante na concreti-zação deste projeto foi a decisão tomada por Elísio Summavielle, atual secretário de Estado da Cultura. Enquanto presidente do IGESPAR, o governante foi fundamental para a concretização atual do projeto. “Se alguém demonstrou para com Coimbra uma extraordinária atenção e uma insuperável confiança, esse alguém foi V. Exa.”, disse Carlos Encarnação.

O secretário de Estado agradeceu os elogios, mas preferiu centrar a sua intervenção no trabalho que tem vindo a ser feito na área do património. E, principalmente, em Coimbra, onde Summavielle considera estar a ser feito um trabalho muito importante. Importante foi a parceria feita com o município. Ou com os municípios em todo o país, onde o investimento na área do património se cifra nos 70 por cento. “Cabe ao Estado acompanhar e estimular este trabalho”, afirmou.

Regressando ao trabalho que tem vindo a ser efetuado naquela zona da cidade – “a margem esquerda passará a estar cada vez mais na moda” –, o governante não se esqueceu de recordar a intervenção no Museu Nacional Machado de Castro, o processo de recuperação “longo e complicado” da Alta, as acções de valorização dos espaços da Universidade e a intervenção no Mosteiro de Santa Clara a Velha. A que se junta agora a transformação do antigo convento franciscano em centro de convenções. “Uma intervenção muito sofisticada do ponto de vista formal”, como recordou, mas que tornará aquela zona como uma importante âncora turística da cidade.

É que, como fez questão de lembrar, “o nosso turismo já não é mais do que sol ou praia, também passou a ser cultural”.

One Comment

  1. pois também é bom para Coimbra um World Trade Center ou um centro de negócios internacional como o da rede Regus em Lisboa.

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