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Violência sobre jovens – um desastre nacional

01 de maio de 2026 às 08 h45

Confesso que me estava a apetecer escrever sobre a “aldealização urbana”; trocando por miúdos, sobre a forma como pessoas provenientes de aldeias, ou mesmo vilas, consegue transformar as cidades, para pior, naturalmente.

 

Porque, como se costuma dizer, “deixaram as aldeias, mas as aldeias não os deixaram a eles”!

 

Mas, confiante que voltarei ao tema daqui por mais algum tempo, o tema que hoje está na ordem do dia com uma dose excessiva de incompetência, motivada por uma informação enviesada e de curta, muito curta, visão, é a violência física sobre jovens!

 

O “Laço Azul” – Abril Azul – pretende alertar os cidadãos para a violência exercida sobre os jovens, é o símbolo mundial da “prevenção dos maus-tratos na infância”, representando a luta por infâncias seguras e protegidas.

 

A cor azul representa as nódoas negras nos corpos das crianças abusadas, servindo como um lembrete constante da dor e da necessidade de proteção. Símbolo de proteção, cuidado e responsabilidade.

 

Os maus tratos sobre crianças, não se esgota nas tareias que “levam” das famílias, professores e outros. Os maus tratos sobre as crianças estão presentes no dia a dia de quem acompanha o fenómeno desportivo, na prática das várias modalidades desportivas.

 

Os maus tratos, físicos e psicológicos, sobre crianças de tenra idade, deveria ser considerado crime público. Porque estamos, todos nós que não se insurgem, a colaborar num atentado à dignidade dos jovens.

 

Cada um é para o que nasce, ouvia-se e ouve-se dizer há muitas décadas.

 

A forma como famílias pressionam os seus filhos para serem atletas de eleição, é uma forma grave de repressão e de violência – uma outra forma -.

 

As crianças são muitas vezes “portadoras das frustrações dos seus Pais”, porque estes não alcançaram o protagonismo que desejaram quando eram de tenra idade. Outros, de pior índole, desejam a todo o custo que os seus filhos tenham êxito para mais tarde “viverem à custa do êxito do descendente”!

 

Conheço a realidade de duas modalidades e não me sinto feliz, nem descansado, quanto ao nosso futuro colectivo. Se queremos uma sociedade diferente nos próximos anos, décadas, teremos de começar agora, já, com outra forma de educar.

 

A escola não pode ser um depósito de crianças. Tem de ser um local onde aprendem também a forma e capacidade de se relacionarem com todos, porque todos fazem parte da sociedade onde crescem.

 

Costuma-se dizer, e é verdade, que a “educação dá-se em casa”. Mas todos sabemos e os exemplos abundam em todo o país, que muitas crianças iniciam o seu percurso escolar sem ouvirem um “NÃO”! E este facto faz toda a diferença.

 

Se a escola se demite de acompanhar os seus jovens, se os pais não conseguem controlar a suas frustrações, não serão os clubes desportivos que o irão conseguir na sua plenitude.

 

Estará o Governo de consciência tranquila?

 

Os clubes desportivos estão vocacionados para ensinar uma modalidade, para ajudar a aprofundar valores e princípios, mas não para substituir famílias e muito menos a escola. Esta, não cumpre com o seu dever!

 

A violência sobre as crianças não se esgota, repito, na violência física.

 

Por isso, o Abril Azul deveria ter sido objecto de análise mais profunda do que apenas as declarações públicas de uns figurões que nada mais têm a dizer que vulgaridades e banalidades.

 

É necessária uma nova forma de intervir nos locais da prática desportiva, isolando todos aqueles que não cumprem com os mínimos éticos de respeito, por si próprio, pelos seus filhos e pelos filhos de outrem.

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