Universidade de Coimbra coordena rede de promoção do uso responsável da IA
Fotografia: UC | Marta Costa
A Universidade de Coimbra (UC) vai coordenar uma rede nacional de promoção do uso responsável e sustentável da Inteligência Artificial (IA) no ensino superior, que será lançada quinta-feira.
“A DEFIA Portugal Network pretende não ser apenas um fórum de discussão, mas sim uma rede orientada para a ação, capaz de mobilizar o conhecimento das instituições portuguesas e contribuir para o debate nacional e internacional sobre o papel das universidades na transformação digital e no desenvolvimento de uma IA responsável e orientada para o bem público”, explicou a vice-reitora da UC Patrícia Pereira da Silva.
A responsável defendeu que “a IA deve desenvolver-se dentro de limites centrados no ser humano, com transparência, responsabilização, avaliação independente e participação das universidades e dos estudantes”.
“O seu desenvolvimento futuro deve servir a sociedade no seu conjunto: uma boa governação não é um travão à inovação, é aquilo que permite inovar sem perder o controlo sobre a direção em que estamos a avançar”, considerou.
A DEFIA Portugal Network, que reunirá a maioria das instituições de ensino superior (IES) nacionais, integra a Digital Education for Impact Alliance (DEFIA), uma aliança internacional cofundada pela Global Enabling Sustainability Initiative (GeSI), pela Universidade de Coimbra e pela Huanghe Science and Technology University.
O diretor executivo da GeSI, Luís Neves, frisou que “o lançamento da DEFIA Portugal Network representa um passo importante na concretização dos objetivos da aliança internacional”.
“Sob a liderança da Universidade de Coimbra, esta iniciativa demonstra como a cooperação entre instituições de ensino superior pode transformar compromissos globais em ações concretas a nível nacional, constituindo também um modelo de referência para o desenvolvimento de redes semelhantes noutros países e regiões”, acrescentou.
A rede visa potenciar a adoção responsável da inteligência artificial e melhorar a capacitação e a literacia em IA de estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico.
A inovação nas práticas de ensino e aprendizagem, a articulação entre transformação digital e sustentabilidade e o reforço da cooperação entre academia, setor público, empresas e sociedade civil são outros objetivos.
Após a primeira iniciativa, na quinta-feira, durante a conferência internacional “Appropriate Guardrails for AGI: the Crucial Role of Universities”, serão constituídos grupos de trabalho temáticos, envolvendo as instituições participantes na definição de um plano de ação conjunto, do qual “deverão sair iniciativas colaborativas, recomendações, orientações e boas-práticas para o trabalho das IES nesta área”.
A conferência internacional reunirá representantes de universidades, organizações internacionais, governos, empresas e sociedade civil para debater o papel das instituições de ensino superior no desenvolvimento e na governação responsáveis dos sistemas avançados de inteligência artificial e, assim, promover “uma reflexão conjunta sobre os desafios éticos, sociais e institucionais associados à evolução destas tecnologias”.
Haverá intervenções do secretário-geral da ONU, António Guterres (por vídeo), do diretor-geral adjunto da UNESCO para a Educação, Qun Chen (online), e da secretária-geral da União Internacional das Telecomunicações (UIT), Doreen Bogdan-Martin (por vídeo).
