Nacional

Um terço dos estrangeiros residentes em Portugal são brasileiros

22 de setembro de 2026 às 13 h07
Dos 1.585.854 cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, 493.622 têm nacionalidade brasileira | Fotografia: DR

Dos 1.585.854 cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, 493.622 têm nacionalidade brasileira (31,1%), anunciou hoje a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), no seu relatório anual.

No “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, que foi hoje divulgado e que contabiliza o trabalho da AIMA e a distribuição dos estrangeiros por nacionalidade, tipo de documentação e distribuição geográfica, o número de Brasileiros está em destaque, com quase meio milhão de pessoas.

Seguem-se Angola (99.050), Índia (91.405), Ucrânia (84.889), Cabo Verde (71.005), Nepal (53.304), Bangladesh (55.579), Guiné-Bissau (51.935), Reino Unido (47.726), Itália (42.418), Paquistão (42.042) e São Tomé e Príncipe (41.800) na lista dos países com maiores comunidades residentes em Portugal.

Em comparação com o ano anterior, há mais quase dez mil brasileiros a viver em Portugal, com uma redução da população indiana, que foi ultrapassada na tabela pelos angolanos, enquanto o aumento de cidadãos italianos (mais duas mil pessoas) colocou a Itália a fechar o top-10, ultrapassando Paquistão e São Tomé e Príncipe.

No total, os cidadãos dos países lusófonos (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste) perfazem quase 50 por cento da população estrangeira a residir em Portugal.

“No contexto europeu, destacam‑se as comunidades de Itália, Reino Unido e Ucrânia, que continuam a representar uma parcela significativa da população estrangeira residente”, uma situação que “reflete tanto a mobilidade intraeuropeia como a procura de Portugal enquanto destino seguro, estável e atrativo para viver, trabalhar e investir”, refere o relatório anual da AIMA.

Em comparação com 2024, a América do Norte e central, com os EUA à cabeça, foi a região que contribuiu para maior crescimento de imigrantes, com mais 10%, enquanto a Ásia teve uma redução de 4,1%.

A maioria dos estrangeiros são homens (55,6%) e 84,6% estão em idade ativa (entre os 18 e 64 anos) e 135.750 são menores (maioria do sexo feminino).

“A população jovem, entre os 0 e os 17 anos, representa 9,1% do total” de estrangeiros residentes em Portugal, contribuindo “para a vitalidade das escolas e para a construção de trajetórias de integração de longo prazo”, enquanto quem tem “65 ou mais anos representa 6,3%, um valor relativamente reduzido”.

A “leitura conjunta destes dados confirma que a população estrangeira residente em Portugal é jovem, ativa e socialmente dinâmica, desempenhando um papel central na vitalidade económica, na inovação e na coesão social”, pode ler-se no relatório.

Já no que diz respeito à distribuição no território, o distrito de Lisboa tem 605.895 estrangeiros residentes (cerca de 40% do total), seguindo-se Setúbal (173.885), Porto (167.498) e Faro (166.124).

Estes quatro distritos, “em conjunto representam 1.114.402 residentes estrangeiros, correspondendo a 70,3% do total nacional”, uma realidade que “traduz, maioritariamente a atratividade económica e social destas regiões, condicionada à capacidade instalada de acolhimento, integração e oferta de oportunidades”.

No que respeita aos concelhos, Lisboa é o que tem mais estrangeiros residentes (200.073), seguindo-se Sintra (98.652), Porto (60.351), Cascais (53.683), Amadora (55.457), Loures (51.134), Odivelas (50.082) e Almada (39.098).

No que respeita aos pedidos de proteção internacional, que baixaram de 2.677 em 2024 para 1.765 em 2025, a maioria proveio da Colômbia (246), seguida da China (169), Angola (159), Venezuela (104) e Gâmbia (100).

O relatório adianta que “em 2025, registou‑se ainda uma redução muito significativa no número de menores não acompanhados requerentes de asilo, com uma diminuição de 69,6% face ao ano anterior”, passando de 204 em 2024 para 62 em 2025, com a maioria destes casos com origem na Gâmbia, Marrocos e Guiné-Conacri.

“Portugal participou igualmente no Programa de Reinstalação da União Europeia, uma via legal e segura que permite a transferência de refugiados a partir de países terceiros para Estados‑Membros que se comprometem a conceder proteção”, tendo sido reinstaladas 258 pessoas, a maioria da Síria (97), seguida do Afeganistão (50).

Dos quase 85 mil ucranianos residentes em Portugal, perto de 65 mil beneficiam de proteção temporária em Portugal, “um mecanismo excecional previsto no direito europeu e nacional, concebido para dar uma resposta rápida, eficaz e humanitária a fluxos massivos de pessoas deslocadas que não podem regressar em segurança ao seu país de origem”, pode ainda ler-se no relatório hoje divulgado.

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

Nacional