Coimbra

Trabalho da Cáritas de Coimbra é “especial”, diz Marcelo

17 de outubro de 2026 às 10 h55
Antigo Chefe de Estado alertou para o crescimento da intolerância | Foto DB-Ana Catarina Ferreira

A Cáritas Diocesana de Coimbra assinalou ontem o Dia da Cáritas, com uma sessão que reuniu dezenas de convidados, entre os quais o antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que classificou o trabalho da instituição como “muito especial”.
Na intervenção oficial, Manuel Antunes, presidente da direção da instituição, destacou a necessidade de manter a pessoa humana no centro da ação social e alertou ainda para desafios como o envelhecimento demográfico e as novas formas de isolamento, defendendo que “nenhuma instituição, por mais forte ou inspirada que seja, consegue responder sozinha à complexidade dos problemas sociais”.

O bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, evocou o conceito de “Magnifica Humanitas”, que dá título à primeira encíclica do Papa Leão XIV, considerando que a humanidade deve estar presente “todos os dias” na atuação da Cáritas.
O diretor do Centro Distrital de Coimbra da Segurança Social, Ramiro Miranda, destacou a intergeracionalidade como uma solução para os desafios do envelhecimento.
Já Marcelo Rebelo de Sousa centrou a sua intervenção na atualidade da caridade e da doutrina social da Igreja. “O que vós estais a fazer é construir o amor, a exprimir o amor na vossa vida quotidiana”. O antigo chefe de Estado alertou ainda para uma sociedade cada vez mais intolerante: “Estamos a viver num tempo em que não há paciência para aceitar que os outros sejam diferentes de nós”.
Um dos momentos mais marcantes da tarde foi o discurso da presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, que mereceu elogios, até de Marcelo.
Referindo-se à linguagem atualmente utilizada nas políticas sociais, a autarca criticou a crescente substituição de palavras como “pobreza”, “carência” ou “miséria” por conceitos menos incómodos. “Passou-se a falar de vulnerabilidade, fragilidades socioeconómicas, risco de exclusão, pobreza energética ou insegurança alimentar. A intenção pode ser positiva, mas a boa intenção e o resultado real não são a mesma coisa”, afirmou. Para Helena Teodósio, estes eufemismos podem ajudar a esconder a realidade social e afastar o debate das suas verdadeiras causas.

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