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“Quero levar três atletas aos próximos jogos olímpicos”

04 de setembro de 2026 às 08 h00
João Neto fez de Catarina Costa a primeira judoca olímpica de Coimbra | Foto DB-Ana Catarina Ferreira

João Neto, antigo campeão da Europa, lidera o comando técnico do alto rendimento do Judo da Académica desde 2011, com um interregno de quatro anos pelo meio, em que foi selecionador nacional. Destaca o trabalho e a evolução dos últimos anos e acredita que vai conseguir levar três judocas da Académica a Los Angeles – dois portugueses e uma finlandesa

Esta época, o Judo da Académica tem apresentado resultados muito consistentes, sobretudo com atletas como a Catarina Costa, o Miguel Gago ou a Pihla Salonen, que conseguiram medalhas no Grand Prix de Lima, no Peru, ou a Sofia Gaspar, “bronze” no Mundial de Cadetes. Houve alguma mudança esta época?
Não houve propriamente uma mudança de chip, mas há consistência. Separando formação e seniores: na formação mudámos algumas coisas. Os atletas com maior potencial começaram a ser integrados mais cedo no treino principal de seniores — dois anos antes do habitual. Antes só transitavam aos 14 ou 15 anos; agora, quando percebemos que já têm maturidade técnico tática, entram mais cedo. Além disso, o clube cresceu muito em qualidade no escalão sénior. A Catarina é o maior exemplo, a finlandesa Pihla também já estava a ter resultados consistentes, e o Miguel fez a transição dos juniores para seniores com impacto. Quando tens um grupo sénior forte, os mais novos desenvolvem se mais depressa. O treino é muito forte, muito orientado para a competição e para a qualidade.

Integrar atletas tão jovens não levanta riscos físicos?
Não, porque temos sempre cuidado com a parte física e com a gestão da carga. Eles não são iguais aos seniores, e isso é respeitado. Mas a nível técnico-tático e de conhecimento da modalidade, estão muito evoluídos. Não há contraindicação fisiológica.
A aposta foi dar-lhes treino de qualidade, conhecimento da modalidade, estratégias, combate, tudo isso, respeitando o desenvolvimento físico. E os resultados estão à vista: a Sofia e a Joana fizeram épocas excecionais.

Quando se trabalha ao nível do alto rendimento, é possível manter também uma aposta no desporto universitário? A Universidade tem ajudado?
Sim. Há o desporto universitário propriamente dito, com participação em campeonatos universitários, onde a Académica se faz representar. Mas existe um patamar acima, que é muito interessante: o enquadramento dos atletas estudantes de alto rendimento. Já tivemos vários atletas nesse regime.
A Catarina, por exemplo, tinha acompanhamento direto do professor Luís Rama, com testes físicos, controlo de treino, tudo suportado pela Universidade. Hoje fala se até em reforçar esse apoio com uma equipa multidisciplinar. Estamos a trabalhar em sintonia e a Universidade tem sido um elo importante.

| Entrevista completa na edição de hoje do DIÁRIO AS BEIRAS

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