Presidente da AAC alerta para crise democrática em Portugal
José Machado discursou na abertura solene do ano letivo na Universidade de Coimbra | Fotografia: Pedro Filipe Ramos
O presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), José Machado, alertou hoje para a crise democrática que se vive em Portugal e criticou os discursos extremistas e populistas.
“É inequívoco que uma das várias crises que testemunhamos em Portugal é, notoriamente, a crise democrática. Em certa medida, gera-se uma autêntica dicotomia, perante um país como o nosso, que através de uma revolução pacífica derrubou um regime autoritário e opressor e que hoje, amargamente, se vê contaminado por forças partidárias extremistas que diariamente envenenam e manipulam a informação, em prol dos seus propósitos políticos”, afirmou José Machado.
No discurso na cerimónia de abertura solene das aulas do ano letivo 2026/27, que decorreu hoje na Universidade de Coimbra (UC), o líder dos estudantes sustentou a sua posição com as dificuldades dos portugueses, frisando que, em 2024, estimava-se que cerca de 15,4% da população vivia no limiar da pobreza.
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“A persistência e o agravamento deste cenário fragilizam significativamente todos aqueles que não sabem se o dinheiro chegará ao final do mês, empurrando-os para a constante narrativa dos discursos oportunistas e populistas que propagam pelo nosso quotidiano, virando portugueses contra portugueses”.
José Machado desafiou ainda que se faça uma “reflexão e ponderação em torno do estado da nação”.
No ensino superior, o presidente da AAC salientou que, hoje, os desafios de um estudante multiplicam-se e que, “da habitação à ação social, da mobilidade à transição para o mercado de trabalho, o elevador social que outrora o ensino representava encontra-se hoje em estado paliativo”.
Sobre o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, criticou o facto de os estudantes continuarem a “representar uma minoria nos órgãos de governo das universidades” e apelou à UC que reconheça o papel dessa comunidade no processo de revisão estatutária previsto pela nova lei que irá começar em breve.
“Apelo a que sejamos capazes de reconhecer conjuntamente o papel fundamental desempenhado pela comunidade estudantil, revendo nela a génese do próprio ensino, e que não nos limitemos a cumprir os mínimos em prol de interesses próprios. As soluções para os problemas dos estudantes começam, especialmente, neles próprios”, referiu.
José Machado defendeu que se olhe para a realidade da ação social no ensino superior “com lente crítica” e também respostas do Governo para a questão da saúde mental, notando que se estima que na UC “um psicólogo seja obrigado a dar resposta a milhares de estudantes”.
“A incapacidade de contratação de psicólogos reforça a necessidade de o Governo responder, com urgência, à crise na saúde mental. A ansiedade e a depressão não se podem tornar, consequência da nossa perplexidade, meras constantes das novas gerações”, argumentou.
