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Opinião: Um tempo revolucionário, disruptivo

23 de novembro de 2024 às 08 h45
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Atrevo-me por alguns idiomas, apesar de não ser versado em nenhum, e não me considerar exímio de interpretação. Compro o El Mundo para contrariar a visão do El país, e ao Domingo diverte-me perceber como se esgrimem sobre as responsabilidades na tragédia de Valência.

Há temas que apesar de tudo os unem. Um ódio visceral a Donald Trump surpreende os leitores dos cronistas do El Mundo. Também eles só escrevem sobre a rama, sobre os epítetos dos nomeados para exercer cargos. Trump escolheu figuras absolutamente ímpares, com impérios de trabalhadores, com percursos longos de luta política, ou combate politico. As suas visões são claras sobre algumas matérias. Desconfiam da grande indústria farmacêutica e colocam em causa algumas certezas difundidas sem contraditório durante mais de uma década. Colocam dúvidas sobre a importância da mão humana nas alterações climáticas. Sim! Isto não é o mesmo que dizer que não há alterações climáticas, pois elas sempre existiram. Colocam dúvidas na medicação extrema das populações, em favor de valores de referência que conduzem a grande farmacêutica a ter populações carregadas de comprimidos. Se o valor de referência do excesso de colesterol fosse ligeiramente menos estrito, reduziam-se milhões de pessoas que tomam estatinas. E as estatinas só fazem bem? – pois não! Há iatrogenia das estatinas. E a deposição de colesterol nos vasos só existe em quem tem colesterol elevado? Pois não! Se estas verdades, também encaixam, no panorama da realidade, é legítimo colocar dúvidas e pensar diferente. A hipertensão associada ao sedentarismo, e a grande pança, é a maior causa de morte dos homens abaixo de setenta anos em Portugal. É um número cru e duro. Então políticas de combate ao sedentarismo e à gordura abdominal fazem sentido. Claro que fazem, e isso preconiza o tal Kennedy que o jornalismo europeu só conhece como negacionista das vacinas covid.

Uma população mais saudável não toma anticoagulantes, anti agregantes, anti hipertensores, antidiabéticos e estatinas. Mais uma vez a visão deturpada da realidade se sobrepõe ao discurso do autor. A obesidade é um flagelo conhecido e tem sido incentivada pela indústria farmacêutica quando introduz aditivos e cria soluções cheias de açúcar para consumo nas escolas. A mesma indústria interfere quando fomenta leis que sustentam os processados em vez do mais biológico, menos regrado, menos sujeito a controlo. Políticos que são de pensamento seguidista, que papagueiam o que ensinam os que os perpetuam no poder, são levados ao colo pelo poder económico.

Se permitirem que a vossa atenção caia sobre os discursos de alguns dos eleitos “monstros da actualidade”, vão surpreender-se como aquilo que dizem, se assemelha ao que diziam as pessoas de esquerda há vinte anos. Também há nos nomeados desta administração muitas dúvidas sobre a sustentabilidade da opção elétrica com baterias. Sim há também certezas de que a opção moinhos de vento, painéis solares e carros eléctricos, é uma fraude colossal que Guterres adora vender. O nuclear que nos anos sessenta estava diabolizado é hoje uma indiscutível opção para reduzir custos energéticos e melhorar a vida de todos nós. Agora vamos conhecer os argumentos que explicam as dúvidas.

A política de género sobre menores de dezoito anos coloca-me também enormes dúvidas. Abandonei o PS em 2017 após esse partido avançar com a mutação de sexo aos dezasseis anos. Não acho que existam géneros, mas acredito que há dois sexos. Há depois uma infinidade de soluções de prazer e de integração que não discuto na adultez. Com enorme tolerância aceito a prostituição e sua legalização em defesa dos seus praticantes. Não me ofende o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nem relações multipessoais. A fomentação da dúvida, e a educação de género, sobretudo nas escolas, já me indigna e me parece inaceitável. Há pois uma infinidade de surpresas nas nomeações de Trump que me indicam uma revolução inesperada. A América rompe com os discursos woke e avança numa retórica de colocar em causa a agenda a que estávamos enraizados, e a ser impedidos de contrapor. O que mais me surpreendia era o desejo de calar as vozes que se opunham ao discurso desta agenda europeia, os que tentavam cercear o direito de opinião, judicializando a política e impondo segregação à crítica.

Autoria de:

Diogo Cabrita

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