O IC6? Devagar, devagarinho e… parado!
Não me apetecia nada, mesmo nada, voltar ao tema das acessibilidades no “interior” do país, por abandono dos sucessivos governos.
Não merecem tal, por efeito do “coxear permanente” das entidades governamentais sobre a não decisão da conclusão do IC6, os autarcas pelo notável trabalho que desenvolvem, os empresários que criam riqueza, e as populações que trabalham de sol a sol.
As razões do abandono são muitas, mas nenhuma é razoável.
Não tenho pejo em afirmar que têm faltado à verdade ou, para ser mais rigoroso, têm exercido o exercício da mentira. Está melhor assim?
As promessas e juras de amor pela região “saem da boca dos governantes a toda a hora”. Mas a verdade é que, quando abandonam a “loja”, gracejam e dizem; “vamos embora bobby que já enganámos mais outro”!
Já se fizeram estudos de tudo, sobre tudo, e mais um “par de botas”! Estão todos atolados em papel, algum de embrulho – lembram-se das mercearias antigas? – que já estão amarelas de tanta “luminosidade mental”!
Em todo o lado, leia-se país, tudo se resolveu. Mas nesta zona do país, fica tudo mais difícil.
“Lá longe, ao cair da tarde, vejo nuvens de oiro, que são os teus cabelos”!
Mas nem tudo é mau; pelo menos, o IC6 tem menos tempo de decisão do que o novo aeroporto, que no tempo da ditadura já se discutia.
Vivemos, labutamos, lutamos, num país adiado!
Todos sabemos que não é nos concelhos de Seia, Gouveia, Tábua e Oliveira do Hospital que se vencem eleições legislativas. Os votos são poucos, mas as pessoas merecem, já que contribuem decisivamente para a economia e sustentabilidade ambiental de Portugal.
Haja respeito!
A coesão territorial justifica-se, tratando todos por igual. Não fazer diferenças, como se os cidadãos do interior fossem de segunda classe.
A grande parte da riqueza nacional é de toda a região centro. Por isso, a “regionalização” urge e Coimbra poderia ser o farol de alerta para o todo nacional.
Com a regionalização a concorrência fará parte da análise da contribuição de cada para a riqueza do país.
Não somos melhores, nem piores; somos diferentes! Assumi-mo-lo!
Sabendo que os concelhos acima identificados têm uma capacidade enorme de regeneração económica, social e política, e têm uma enorme capacidade de atrair turismo, então, é um “crime de lesa majestade” se o IC 6 não ficar resolvido – que não construído – até ao fim 2026.
Muitas vezes brinca-se às organizações micro que dão um poder patético, quando são as macro que ajudam a resolver os problemas.
Uma coisa é brincar à mesa e comer uns petiscos, outra bem diferente, será discutir, mesmo que acaloradamente, o desenvolvimento de uma região.
Tempo houve, que até a Escola Superior de Tecnologia de Oliveira do Hospital quiseram destruir. A batalha foi dura – alguns já “viraram a agulha” por conveniência e estratégia pessoal – mas conseguimos, conseguiu-se que hoje seja uma escola de referência.
Seguir a estrada nacional depois de abandonar o troço do IC6, até Oliveira do Hospital e depois daí até Seia, é um sacrifício enorme para quem tem de viajar diariamente.
O IC6 tem de ser uma realidade.
Faça-se JUSTIÇA!
