O espírito de Coimbra
Há grupos de pessoas que se juntam porque têm alguma coisa em comum. E há outros em que a coisa curiosa é perceber como continuam a ter alguma coisa em comum apesar de, à partida, já terem muito pouco.
É um pouco isso que acontece quando se juntam os antigos estudantes da Universidade de Coimbra em Bruxelas. Em Dezembro de 2023 fundámos a Associação Alumni da Universidade de Coimbra na Bélgica (UCAAB). Éramos – e continuamos a ser – pessoas de gerações, profissões e percursos diferentes e, em muitos casos, com vidas que pouco têm a ver umas com as outras. Há quem trabalhe nas instituições europeias, quem esteja na academia, na advocacia, na indústria farmacêutica, em empresas ou em organizações internacionais. O que nos junta não cabe numa profissão nem num currículo.
Foi precisamente para reforçar estes laços e pensar no futuro desta rede no Benelux que voltámos a encontrar-nos em Bruxelas. O encontro contou com o acolhimento do Embaixador de Portugal junto do Reino da Bélgica, António Costa Moura, e a presença do Vice-Reitor para as Relações Externas e Alumni da Universidade de Coimbra, João Nuno Calvão da Silva, e de Rui Faria da Cunha, Presidente da UCAAB.
O curioso é que, quando nos encontramos, ninguém precisa de explicar muito. Há uma facilidade de conversa que talvez venha de uma experiência partilhada há muitos anos, quando ainda éramos estudantes. Muitos de nós nem sequer nos conhecíamos nessa altura, mas há uma espécie de reconhecimento imediato. Basta assistir a um dos nossos encontros: as conversas prolongam-se, as pessoas apresentam-se umas às outras e as histórias começam muitas vezes com um simples “De que curso eras?”.
Talvez seja isso que chamamos de espírito de Coimbra. Não é apenas a capa e a batina, o fado ou a memória de uma cidade universitária. É uma forma de criar relações que sobrevivem ao tempo e à distância. Uma espécie de código comum que permanece mesmo quando as nossas vidas já seguiram caminhos completamente diferentes.
A universidade ficou em Coimbra. Nós fomos ficando espalhados pelo mundo. Mas, pelos vistos, há coisas que a distância não consegue dissolver.
