Coimbra

Mutualidades querem investir na habitação

24 de outubro de 2026 às 08 h15
Luís Alberto Silva, Ana Abrunhosa e António Martins de Oliveira na abertura do encontro | Foto: Ana Catarina Ferreira

As mutualidades querem alargar a sua intervenção à habitação, reforçar a resposta na saúde e garantir melhores condições para apoiar os associados, num contexto de aumento dos custos e de crescentes necessidades sociais. As prioridades estiveram em destaque ontem, no XV Encontro Nacional de Dirigentes Mutualistas, que juntou representantes de instituições de todo o país na Casa da Mutualidade d’A Previdência Portuguesa.
O presidente da União das Mutualidades Portuguesas (UMP), Luís Alberto Silva, aproveitou a reunião para deixar um alerta ao Governo: o Orçamento do Estado para 2027 não deve ignorar os constrangimentos financeiros das instituições sociais, pressionadas pela subida dos preços da energia, dos combustíveis e de outros bens e serviços.

O dirigente defendeu que os apoios públicos devem acompanhar progressivamente os custos reais das respostas sociais, sublinhando que os compromissos assumidos entre o Estado e o setor devem traduzir-se em medidas concretas. “Um compromisso só é verdadeiramente compromisso quando aquilo que se escreve também se concretiza”, afirmou.
Entre as reivindicações está também a resolução dos entraves jurídicos à criação de farmácias sociais e privativas, para permitir às associações assegurar assistência medicamentosa aos seus associados. Luís Alberto Silva defendeu ainda o alargamento dos acordos com o Estado na área da saúde, nomeadamente para consultas de especialidade e meios complementares de diagnóstico e terapêutica.
“Não estamos a pedir um privilégio. Estamos a pedir que as mutualidades possam fazer aquilo para que existem”, declarou, considerando que estas instituições podem contribuir para respostas de saúde mais próximas, acessíveis e rápidas.

Habitação entre
as prioridades
A possibilidade de as mutualidades avançarem para a construção de habitação destinada aos associados foi uma das propostas concretas lançadas pelo presidente do conselho de administração d’A Previdência Portuguesa, António Martins de Oliveira. O responsável defendeu uma maior articulação entre instituições, através da partilha de recursos e de projetos comuns, em vez de respostas isoladas.
A ideia mereceu o apoio da presidente da Câmara Municipal de Coimbra, que se mostrou disponível para colaborar com o movimento mutualista nesta área.
Ana Abrunhosa destacou o papel destas instituições no combate à pobreza, incluindo a pobreza escondida, sublinhando que a proximidade às comunidades permite estabelecer relações de confiança e chegar a pessoas que nem sempre conseguem ou aceitam pedir ajuda.
O encontro decorreu sob o tema “Investir e Inovar: Projetos que Transformam o Mutualismo”, no ano em que se assinalam os 850 anos do mutualismo em Portugal.

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