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Macau, a festa que não dorme

15 de outubro de 2026 às 10 h15

Viver em Macau é aceitar o seu constante ambiente festivo, onde o quotidiano só existe nos breves intervalos entre feriados e celebrações. Setembro e Outubro são meses particularmente marcantes nesse sentido. Em 2026, o Festival da Lua antecede por poucos dias o 77º Aniversário da Implantação da República Popular da China e a Semana Dourada, tornando a proximidade das festividades quase física. Primeiro chegam as lanternas e os coelhos. Surgem de repente, como se tivessem germinado durante a noite. Coelhos de papel e de plástico, pequenos, enormes, brancos, coloridos, retroiluminados, decoram, a par com as lanternas, rotundas, parques e entradas de edifícios comerciais e residenciais.

As ruas enchem-se de elementos simbólicos do Festival da Lua, também conhecido como Festival do Bolo Lunar ou do Meio do Outono. Ao mesmo tempo, e sempre a vencer de antemão, chega a majestosa decoração do Dia Nacional. Ano após ano, continua a surpreender-me, envergonhando qualquer outra aspiração ao patriotismo.

Macau veste-se de gala para as celebrações da Implantação da RPC: centenas de milhares de bandeiras vermelhas cobrem ruas, avenidas, rotundas, postes de iluminação e espelhos laterais de táxis. Canteiros explodem de cor com flores frescas plantadas com o brio de quem sabe que será fotografado por milhares de visitantes. O céu, enciumado, decide presentear-nos com o belíssimo Concurso Internacional de Fogo-de-Artifício, já na sua 34ª edição.

Tenho a certeza de que, em breve, acordarei e Macau estará vestida de Natal. Esta facilidade em passar de uma celebração para a outra, sem nunca perder o fôlego, não deixa de me impressionar. Questiono-me se não será esta a verdadeira vocação de Macau: não dormir e apenas celebrar; celebrar sem pausa, sem hesitação e, acima de tudo, sem nunca desiludir.

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