Detidos nas manifestações da madrugada foram libertados, mas apresentam-se amanhã em tribunal
Em Coimbra também houve, ontem, uma concentração pelo direito à habitação, mas sem confrontos. Foto: Ana Catarina Ferreira
As 25 pessoas detidas na madrugada de hoje em Lisboa após a intervenção da polícia na praça do Rossio foram libertadas na manhã deste domingo, tendo de apresentar-se a tribunal amanhã, segunda-feira.
É uma consequência dos factos ocorridos de madrugada, quando a polícia dispersou, à bastonada, as manifestações pelo direito à habitação, em duas ações em simultâneo em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens de dispersão não acatadas, para retirarem as tendas montadas pelos manifestantes pelo direito à habitação
As ordens da PSP, no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, começaram às 00H30, hora a que, segundo a polícia, as concentrações deveriam ter terminado, mas a intervenção da Unidade Especial de Polícia só aconteceu cerca das 02H00 (hora após a mudança para o horário de inverno).
De acordo com a PSP, houve sete feridos e 31 detidos por desobediência, no entanto, em comunicado publicado nas redes sociais, a Acampada de Lisboa, refere a assistência a dezenas de feridos. Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do Cometlis da PSP, Sérgio Soares, refere que no decorrer da intervenção registaram-se “31 detidos, 25 em Lisboa e seis no Porto” por “desobediência à ordem de dispersão”.
Segundo Sérgio Soares foram removidas pela Polícia Municipal 171 tendas no total: 117 em Lisboa e 54 no Porto. Dos “11 feridos confirmados, oito civis e três policias”, de acordo com responsável, “cinco decorreram de acidente da intervenção policial na cidade de Lisboa e seis no Porto”.
Em Coimbra, onde não houve confrontos, ontem à noite cerca de duas centenas de pessoas manifestaram-se na Praça 8 de Maio, para pedir respostas para a crise habitacional, tendo como uma das reivindicações “derrotar da lei dos despejos”.
Sara Martins, de 30 anos, foi uma das pessoas que marcou presença na manifestação. Investigadora na Universidade de Coimbra, Sara Martins admitiu não ter estabilidade financeira para sair de casa dos pais e não ter as “bases que são necessárias para construir um plano de vida a longo prazo”.

