Cantanhede assinala centenário de Augusto Abelaira com viagem pela vida e obra do escritor
Fotografia: DR
O escritor Augusto Abelaira, nascido em Ançã há 100 anos, está a ser celebrado em Cantanhede com dezenas de iniciativas culturais que cruzam literatura, música, teatro, cinema e património, e se estendem a vários pontos do concelho.
“Esta homenagem tem um enquadramento duplo: pela oportunidade de celebrarmos e recordarmos o seu extraordinário legado cívico, político e literário no centenário do seu nascimento”, destacou o vice-presidente da Câmara de Cantanhede, Pedro Cardoso.
A quinta edição do projeto “Gente da Nossa Terra”, promovido pelo Município de Cantanhede até 28 de novembro, assinala o centenário do nascimento de Augusto Abelaira (1926-2003) envolvendo mais de três dezenas de entidades numa programação multidisciplinar.
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Em declarações à agência Lusa, Pedro Cardoso explicou que a iniciativa pretende não apenas recordar o escritor, mas também reinterpretar a sua obra e inspirar novas gerações, através de propostas que aproximem a literatura de outras expressões artísticas e culturais.
“O Município de Cantanhede não se podia alhear desta efeméride, antes aproveitando a mesma para amplificar reconhecidamente o contributo que Augusto Abelaira nos deixou, neste contexto local, pois que Ançã esteve em si muito presente, regional, nacional, quando a sua obra ecoa também além-fronteiras”, afirmou.
Conferências, exposições, concertos, peças de teatro, sessões de cinema, caminhadas, visitas guiadas, oficinas, apresentações de livros e atividades pedagógicas integram o programa, concebido para chegar a públicos de diferentes idades.
Entre os destaques estão uma exposição fotobiográfica na Biblioteca Municipal de Cantanhede, patente durante o mês de outubro; uma conversa com José Manuel Mendes e José Carlos Vasconcelos, marcada para esta quinta-feira; e uma sessão de escuta dedicada à presença da música nos livros de Abelaira, no sábado, no Museu da Pedra, em Cantanhede.
Também no sábado, uma caminhada pelos lugares associados à infância do escritor, em Ançã, concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, propõe um percurso pelos espaços que marcaram o seu universo pessoal e literário.
Para o vice-presidente da Câmara de Cantanhede, a ligação de Augusto Abelaira a Ançã confere à homenagem um significado particular, constituindo motivo de orgulho para a população local, não apenas pela sua afirmação literária, mas também pelo percurso no jornalismo, na televisão e na vida cultural portuguesa.
O escritor foi diretor de programas da RTP, dirigiu as revistas Seara Nova e Vida Mundial e presidiu à Associação Portuguesa de Escritores.
Estreou-se no romance em 1959, com “A Cidade das Flores”, e recebeu ao longo da carreira várias distinções literárias.
Com uma obra literária constituída por 12 romances, o último dos quais póstumo, conta ainda com três peças de teatro, um livro de contos e um monólogo.
Questionado sobre a continuidade da homenagem para além das comemorações, Pedro Cardoso adiantou que o Município de Cantanhede e a Junta de Freguesia de Ançã têm previstas outras ações, incluindo o trabalho sobre textos do autor e adaptações para encenação.
“A sua obra e os seus feitos são o bastante para merecer ser perpetuado para além destas pontuais comemorações, pois ter a oportunidade de revisitar as suas obras e conhecer melhor a sua pessoa perdurarão mais do que estas ações que decorrem ao longo deste ano de 2026”, justificou.
No seu entender, é necessário garantir que a obra de Abelaira continue a ser revisitada e conhecida.
“A perspetiva de vermos os seus textos trabalhados e adaptações para encenação é um exemplo dessa extensão, a que se juntarão outras iniciativas que cremos virem a ser marcantes e igualmente impactantes, de forma a não deixar esquecer a relevância do contributo desta pessoa que figura no salão Nobre dos Paços do Concelho e no Livro de Ouro de Cantanhede, a par com outras personalidades concelhias”, concluiu.
