Coimbra

“A falta de alunos em Química é um problema nacional e internacional”

14 de outubro de 2026 às 08 h00
Edmundo Monteiro, diretor da FCTUC | Fotografia: Pedro Filipe Ramos

Em entrevista ao DIÁRIO AS BEIRAS, o diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Edmundo Monteiro, vê a falta de estudantes nos cursos de Química e Física como um problema internacional. Na véspera do dia da faculdade, o diretor analisa os novos cursos, salienta a “qualidade” da unidade orgânica e pede requalificações “profundas” nos dois polos.

Quais são os primeiros sinais do curso de Engenharia Aeroespacial?

O primeiro sinal foi de grande satisfação, de finalmente termos um curso de Engenharia Aeroespacial a funcionar. A média mínima de entrada foi de mais de 17 valores. Este é um curso que já devia ter sido criado anteriormente e que não foi por vicissitudes várias.

Temos uma estratégia associada a esse curso, que é a estratégia do espaço, em que na Universidade de Coimbra criámos um grupo de instituições que se chama o UCSpace, que congrega centros de investigação com valências na área do espaço, em toda a Faculdade de Ciências e Tecnologias, mas também noutras faculdades.

O UCSpace foi um dos motores da criação do Coimbra Supernova, que é o Hub de Coimbra para o Espaço, que engloba para além da Universidade o Instituto Pedro Nunes e outras empresas.

O elevado número de candidaturas e uma média tão alta no primeiro ano, justificam essa aposta?
Parecia uma aposta tão óbvia, mas foi tardia. Os alunos são excelentes, estão já a ter aulas, estando muito motivados. O curso está repartido em vários departamentos, embora esteja localizado no departamento de Engenharia Mecânica, mas tem apoio da Engenharia Mecânica, na parte de propulsão, e dos departamentos de Física e da Informática. É um curso que é transversal à FCTUC.

Nesta primeira fase, os cursos de Engenharia do Ambiente e de Química tiveram uma percentagem muito alta de vagas por preencher. Porquê?
A falta de alunos em Química é um problema nacional e internacional. As áreas de Química e da Física estão a sofrer com a falta de motivação. Este é um problema que tem raízes mais profundas.

Não há professores de Física ou Química em quantidade suficiente no ensino secundário. As turmas de Física ou Química funcionam apenas em algumas escolas. É preciso resolver este problema primeiro. Nós criámos os mestrados de ensino na área de Física ou Química, na área de Biologia e Ciências da Terra, Geologia e também na área de Matemática. Temos estes mestrados com o objetivo de formar professores de alta qualidade.

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