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A cerimónia terminou com a inauguração do painel comemorativo do centenário da Tomada da Bastilha, agora requalificado pela direção-geral | Foto: Ana Catarina Ferreira
A Associação Académica de Coimbra (AAC) quer passar da denúncia à apresentação de soluções para a crise da habitação estudantil
No dia em que assinalou 139 anos, José Machado, presidente da direção-geral, anunciou que está a preparar, em articulação com a câmara municipal, um projeto para responder a um problema que “está a empurrar milhares de estudantes” para fora do ensino superior.
Sem adiantar pormenores, o dirigente prometeu apresentar a iniciativa em breve. Os números dão dimensão à urgência: perto de 40% dos estudantes em Coimbra estarão alojados sem contrato formal e um em cada quatro já terá ponderado abandonar o ensino superior devido aos custos da habitação.“É nosso dever transcender a mera enunciação do problema para um envolvimento ativo na construção de soluções”, defendeu o dirigente, na cerimónia que decorreu na Casa das Caldeiras.
O abandono escolar, a participação dos estudantes nos órgãos de governo das universidades e as dificuldades no ensino superior estiveram também em destaque. Evocando o papel da Academia na luta pela liberdade e pela democracia, José Machado considerou que esse legado deve ter consequências no presente. Perante o agravamento das desigualdades, deixou um aviso: “a Academia não pode ficar em silêncio”.
A comemoração serviu ainda para apresentar uma nova aplicação móvel, desenvolvida por Tiago Almeida, antigo dirigente associativo. Disponível a partir de 10 de novembro na App Store e na Google Play, reúne num só espaço a informação das 73 estruturas da AAC. (ver caixa).
Cidadania e solidariedade
A dimensão cívica da AAC atravessou as restantes intervenções. Francisco Flor, presidente da Mesa da Assembleia Magna, defendeu a associação como espaço de debate e participação, destacando o papel das secções culturais e desportivas na formação dos estudantes e a necessidade de garantir a sua continuidade.
A importância da AAC na vida da cidade foi também sublinhada por Jorge Castilho, presidente da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra.
Na sua perspetiva, a experiência associativa é tão importante para a formação dos jovens como a própria Universidade, por ser uma escola de cidadania, solidariedade e participação na vida em comunidade Evocou ainda as mobilizações académicas de 1954 e 1962, lembrando que “os protagonistas de 1969 não foram nem mais nem menos do que continuadores de outras gerações”.
Já o vereador Ricardo Lino, considerou que “Coimbra e a Académica não se explicam uma sem a outra”. Uma ligação que, na perspetiva de Luís Bento Rodrigues, em representação da Universidade, se traduz numa relação de cooperação entre as duas instituições, com respeito pela autonomia de cada uma.
O programa incluiu a inauguração do painel requalificado dos 100 anos da Tomada da Bastilha.
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