Coimbra

Presidente da AAC alerta para crise democrática em Portugal

07 de outubro de 2026 às 16 h32
José Machado discursou na abertura solene do ano letivo na Universidade de Coimbra | Fotografia: Pedro Filipe Ramos

O presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), José Machado, alertou hoje para a crise democrática que se vive em Portugal e criticou os discursos extremistas e populistas.

“É inequívoco que uma das várias crises que testemunhamos em Portugal é, notoriamente, a crise democrática. Em certa medida, gera-se uma autêntica dicotomia, perante um país como o nosso, que através de uma revolução pacífica derrubou um regime autoritário e opressor e que hoje, amargamente, se vê contaminado por forças partidárias extremistas que diariamente envenenam e manipulam a informação, em prol dos seus propósitos políticos”, afirmou José Machado.

No discurso na cerimónia de abertura solene das aulas do ano letivo 2026/27, que decorreu hoje na Universidade de Coimbra (UC), o líder dos estudantes sustentou a sua posição com as dificuldades dos portugueses, frisando que, em 2024, estimava-se que cerca de 15,4% da população vivia no limiar da pobreza.

 

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“A persistência e o agravamento deste cenário fragilizam significativamente todos aqueles que não sabem se o dinheiro chegará ao final do mês, empurrando-os para a constante narrativa dos discursos oportunistas e populistas que propagam pelo nosso quotidiano, virando portugueses contra portugueses”.

José Machado desafiou ainda que se faça uma “reflexão e ponderação em torno do estado da nação”.

No ensino superior, o presidente da AAC salientou que, hoje, os desafios de um estudante multiplicam-se e que, “da habitação à ação social, da mobilidade à transição para o mercado de trabalho, o elevador social que outrora o ensino representava encontra-se hoje em estado paliativo”.

Sobre o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, criticou o facto de os estudantes continuarem a “representar uma minoria nos órgãos de governo das universidades” e apelou à UC que reconheça o papel dessa comunidade no processo de revisão estatutária previsto pela nova lei que irá começar em breve.

“Apelo a que sejamos capazes de reconhecer conjuntamente o papel fundamental desempenhado pela comunidade estudantil, revendo nela a génese do próprio ensino, e que não nos limitemos a cumprir os mínimos em prol de interesses próprios. As soluções para os problemas dos estudantes começam, especialmente, neles próprios”, referiu.

José Machado defendeu que se olhe para a realidade da ação social no ensino superior “com lente crítica” e também respostas do Governo para a questão da saúde mental, notando que se estima que na UC “um psicólogo seja obrigado a dar resposta a milhares de estudantes”.

“A incapacidade de contratação de psicólogos reforça a necessidade de o Governo responder, com urgência, à crise na saúde mental. A ansiedade e a depressão não se podem tornar, consequência da nossa perplexidade, meras constantes das novas gerações”, argumentou.

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