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Cidadãos criam movimento para defender a ferrovia na Região de Coimbra

28 de setembro de 2026 às 15 h25
Fotografia: DR

Um grupo de cidadãos criou o Coimbra nos Carris (CnC), um movimento cívico dedicado à ferrovia que pretende lutar pela melhoria da rede de caminhos-de-ferro na região.

O Coimbra nos Carris surge na sequência do Movimento Cívico pela Estação Nova (MCEN), que lutou pela manutenção da ligação ferroviária àquela estação na Baixa de Coimbra, encerrada em janeiro de 2025, na sequência do projeto de construção do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), de ‘metrobus’ (autocarros em via dedicada).

O CnC “não é um filho” desse anterior movimento, que acabou quando “já não havia causa para defender”, mas procura ocupar “um vazio deixado” na defesa da ferrovia na região, disse à agência Lusa Duarte Miranda, aclarando que, mesmo assim, há várias pessoas ligadas ao MCEN, tal como o próprio.

 

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Na fundação do movimento, além de Duarte Miranda, estão João Pinto Ângelo, Luís Neto, Manuel Baeta, Pedro Rodrigues Costa, Pedro Silva, Sérgio Valente e Tomás Batista.

Dentro do movimento, estão pessoas com “visões ideológicas distintas”, que tentam contribuir para pensar a ferrovia “de uma forma integrada” na região “e não apenas como mais um meio de transporte”.

Duarte Miranda disse que a ferrovia está menosprezada na região e considerou que, para o panorama nacional, a região até tem uma densidade de caminhos-de-ferro e número de estações alta, mas é “um ativo subvalorizado”.

“O número de passageiros está a subir brutalmente. Os urbanos de Coimbra cresceram 75% [em 2025], muito mais do que outros segmentos da CP”, notou o membro do CnC, recordando que tal acontece mesmo com o fecho da Estação Nova e ainda sem o ‘metrobus’ a servir Coimbra-B.

Com o ‘metrobus’ já a servir Coimbra-B desde o início deste mês, Duarte Miranda acredita que os números de utilização ainda deverão subir mais neste ano e em 2027, sendo importante pensar “como tratar bem esta rede, como expandi-la e melhorá-la”.

De momento, o movimento terá como tema mais quente a linha de alta velocidade, que para o troço entre Oiã e Soure, que inclui a ligação a Coimbra e estação intermodal, houve duas propostas, uma que “respeitava o caderno de encargos”, do consórcio liderado pela Sacyr, e outra, do consórcio LusoLav, que “não previa a quadruplicação do troço entre Coimbra-B e Taveiro”, recordou.

“Sem quadruplicação [do troço entre Taveiro e Coimbra-B] põe-se em causa os comboios na região, num troço já muito saturado. Não quadruplicar impede aumentar o número de circulações nesse troço”, alertou.

Outra questão que irá merecer atenção do movimento é o SMM, em que o CnC considera que deverá evoluir de ‘metrobus’ para um sistema tram-train em bitola ibérica, que circula como um elétrico nas ruas da cidade e como comboio nos percursos suburbanos e na rede ferroviária nacional.

Além dos grandes temas, o movimento irá também debruçar-se sobre questões “mais pequenas”, como os apeadeiros da região, muitos deles “desqualificados”, e com problemas de acesso para os passageiros, referiu.

“É preciso olhar para a grande escala e grandes projetos, mas também para as coisas pequenas”, disse Duarte Miranda.

Em breve, o movimento irá apresentar propostas concretas para a rede ferroviária da região de Coimbra.

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