Região de Coimbra investe 2,6 ME para proteger linhas de água de espécie invasora
Projeto Life Ludwigia, apresentado esta tarde em Góis | Fotografia: Região Metropolitana de Coimbra
A Região Metropolitana de Coimbra (RMC) vai investir 2,6 milhões de euros (ME) nos próximos cinco anos para proteger os rios, ribeiros e linhas de água que atravessam os seus 19 municípios da espécie invasora ‘ludwigia’.
O projeto Life Ludwigia, apresentado esta tarde em Góis, no interior do distrito de Coimbra, pretende prevenir, detetar e controlar aquela espécie invasora, restaurando os habitats afetados, sendo financiado pela União Europeia em 1,56 ME e o restante pelos municípios.
A presidente da RMC, Helena Teodósio, sublinhou que “o projeto enfatiza a importância da antecipação, conhecimento, cooperação e ação, em vez de apenas reagir aos problemas ambientais”.
“Podemos limitar-nos a reagir quando os problemas aparecem ou podemos antecipar, conhecer, cooperar e agir. É esta segunda opção que estamos hoje aqui a assumir”, reforçou.
A dirigente, que preside também ao município de Cantanhede, salientou que, durante os próximos cincos anos, o território terá ciência, tecnologia e equipas no terreno.
“Os rios Mondego, Ceira, Alva e tantos outros cursos de água [da região] não são apenas elementos da nossa paisagem, são biodiversidade, são economia, são lazer, são agricultura, memória, qualidade de vida e também uma herança que temos a responsabilidade de entregar às próximas gerações”, frisou Helena Teodósio.
O projeto liderado pela RMC envolve a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a Universidade de Coimbra (UC), a Universidade Politécnica de Coimbra (UPC) e uma entidade espanhola.
De acordo com Hélia Marchante, da UPC, neste momento a planta invasora ‘ludwigia’ já foi identificada em quatro municípios da região – Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Arganil e Tábua.
A investigadora salientou que aquela espécie se “disfarça de várias formas” e é altamente infestante, aparecendo tanto no leito dos rios e ribeiras como nas margens, causando impactos “muito negativos” nos usos recreativos e náuticos.
“Este projeto nasce de uma estratégia [ambiental] de longo prazo que iniciámos há quase 10 anos e é o único português aprovado no âmbito da convocatória do Life 2025, no domínio da natureza e biodiversidade”, salientou o diretor-executivo da RMC.
Segundo Jorge Brito, o projeto vai ter três equipas territoriais em permanência, com bases instaladas em Soure, Lousã e Tábua, além de três unidades de biossegurança e um viveiro de flora nativa, em Montemor-o-Velho.
A ‘ludwigia’ é uma planta aquática, enraizada debaixo de água, emergente, com rizomas e caules eretos, folhas estreitas e compridas e grandes flores amarelas, que integra a Lista Nacional de Espécies Invasoras.
A Região Metropolitana de Coimbra, formalmente identificada por Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, integra os municípios de Arganil, Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Góis, Lousã, Mira, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Soure, Tábua e Vila Nova de Poiares, do distrito de Coimbra, Mealhada (Aveiro) e Mortágua (Viseu).
