Coimbra

Os médicos também podem (con)viver

18 de setembro de 2026 às 11 h30
Francisco Marques e Carolina Oliveira criaram o “Who Cares” | Fotografia: Ana Catarina Ferrera

Todos os anos milhares de estudantes de Medicina realizam a Prova Nacional de Acesso (PNA) para, posteriormente, se candidatarem ao internato médico. Os anos anteriores ao exame são de muito estudo e stress acumulado, o que condiciona a vida social em benefício do futuro profissional.

Francisco Marques é médico da especialidade em Otorrinolaringologia. Foi um dos muitos que, nos últimos anos, passou por todo este processo. Na altura, sentiu na pele a pressão que ele e os seus colegas tiveram nos ombros e partilhou a experiência com a sua mulher, Carolina Oliveira, psicóloga clínica. Juntos, criaram o “Who Cares?”, um projeto que começou por ser de saúde mental de apoio a estes estudantes de Medicina.

“Ao fim de um ano percebemos que o problema não começava, nem acabava na PNA. É um problema que se estende ao internato da especialidade. Durante esses quatro a seis anos, é pedido muito aos médicos no hospital, mas é também um momento de aprendizagem”, começou por explicar, lamentando a forma como os jovens ainda sofrem.

“Para entrar em Medicina, o ensino secundário foi um período que exigiu muito. Quando se entra em Medicina, entra-se num mundo altamente competitivo e deveria haver um apoio muito maior aos jovens. Nós estamos a tentar ocupar essa lacuna”, salientou.

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