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Empresas – gerar lucro ou criar riqueza?

08 de setembro de 2026 às 09 h30

Os dois conceitos são corretos, embora diferentes. Uma empresa tem naturalmente de gerar lucro, porque sem lucro não sobrevive. Mas não deve existir apenas para apresentar resultados positivos. Deve também ser capaz de criar riqueza.

Durante muitos anos, e ainda hoje em grande parte do nosso tecido empresarial, ficou enraizada a ideia de que o objetivo de uma empresa é dar lucro. É quase cultural no empresário português olhar para o resultado do exercício como uma das principais medidas do sucesso.

Creio, no entanto, que este paradigma terá de mudar gradualmente. Temos hoje uma nova geração de empresários, maior acesso ao conhecimento e a conceitos de gestão mais profissionais. Isso permite olhar para a empresa não apenas como uma estrutura destinada a gerar resultados no curto prazo, mas como um instrumento de criação de valor e riqueza no médio e longo prazo.

A nossa economia depende em grande medida das empresas privadas e o nosso tecido empresarial é composto sobretudo por pequenas e médias empresas. São estas empresas que criam emprego, investem, geram atividade económica e contribuem significativamente para a receita do Estado.

Também é verdade que a relação das empresas com o sistema fiscal e administrativo é exigente.

IRC, IVA, IUC, retenções na fonte, Segurança Social, IMI, Imposto do Selo, taxas diversas e pagamentos por conta consomem tempo, recursos e capacidade de gestão.

O pagamento por conta é um bom exemplo. A empresa antecipa ao Estado parte de um imposto com base em resultados passados, sem saber ainda qual será o resultado do exercício em curso.

Para muitas empresas, sobretudo as de menor dimensão, isto pode representar pressão adicional sobre a tesouraria e menor margem para investir.
E é precisamente aqui que, para mim, está a diferença entre gerar lucro e criar riqueza.

Criar riqueza é investir em melhores meios produtivos, melhorar as condições de trabalho, aumentar salários quando a produtividade o permite, inovar, formar pessoas, reforçar os capitais próprios e tornar a empresa mais sólida e menos exposta às turbulências do mercado.

Temos ainda muitas empresas pouco capitalizadas e demasiado expostas às oscilações da conjuntura. Um sistema que não crie incentivos suficientes ao reinvestimento e à capitalização limita também a capacidade das empresas para se tornarem mais fortes e resilientes.

Precisamos, por isso, de encontrar um melhor equilíbrio entre a necessidade de assegurar receita pública e a criação de condições que favoreçam o investimento, a produtividade e o reforço financeiro das empresas.

Porque empresas mais fortes criam melhor emprego, mais produtividade, mais investimento e, a médio e longo prazo, também mais receita fiscal.
O lucro é indispensável. Mas o verdadeiro desafio está em transformar esse lucro em riqueza, crescimento e sustentabilidade.

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