Setembro: rentrée e o que falta de 2026
“Daqui até ao Natal é um saltinho de pardal”, recordei ainda hoje esta expressão, que vivi na pele ao preparar os últimos meses do ano numa grande empresa onde trabalhei no início de carreira. Os últimos meses são decisivos para muitas empresas “fecharem” as contas do ano e atingirem metas de faturação, ou outros objetivos. São também meses importantes de planeamento e orçamentação do ano seguinte. Mas vivendo tempos em que tudo parece efémero, como é que um gestor pode “antecipar” 2027?
Olhemos então para os primeiros números que se conhecem para a elaboração do Orçamento de Estado de 2027: o crescimento estimado pelo BCE e FMI para a zona Euro cifra-se em redor dos 1,2%, contrastando com os 0,8% com que deverá fechar 20026. Portugal não foge a esta tendência e deverá apresentar um crescimento a rondar a 1,6%, apresentado alguma recuperação. O desempenho em 27 dependerá mais da procura interna e de melhorias progressivas nas exportações, compensando uma desaceleração no aumento da oferta de mão-de-obra e uma redução gradual dos fundos europeus, em particular com o fim do PRR.
Este sinal de algum otimismo, contrasta com a instabilidade que os conflitos no Golfo Pérsico têm colocado sobre o preço do petróleo. A tónica está na resiliência dos “sistemas” em particular do fornecimento de energia, na diminuição da pressão inflacionária e na recuperação que a U.E. tem de encetar em diferentes domínios. Os desafios da Europa são claros:
• Transição Verde: A Comissão está a impulsionar um financiamento substancial através do programa do Horizonte Europa. Surgem mais oportunidades para tecnologias limpas, descarbonização industrial e competitividade;
• Infraestruturas e Desenvolvimento Regional: Estão a ser direcionados investimentos para melhorias nos transportes e nas infraestruturas em toda a Europa, incluindo grandes modernizações ferroviárias e investimentos urbanos nos países de leste e do alargamento. A Expo 2027 realiza-se em Belgrado e pode dar o mote para um novo impulso de expensão regional;
• Integração tecnológica e I.A.: a Europa não pode abrandar na transformação digital e este é o tempo de testar a adaptabilidade do Estados e das empresas privadas.
As empresas devem estar atentas e nos próximos meses alguns eventos irão mostrar muito destes desenvolvimentos, em particular a Web Summit de 9 a 12 de Novembro.
O ecossistema de Coimbra terá pela primeira vez uma representação conjunta, evidenciando o papel da região no xadrez mundial da tecnologia.
Estarão representadas 12 startups da região e as inscrições ainda estão abertas.
2027 está já aí ao virar da esquina… mas esta rentrée oferece muitas oportunidades para se preparar para as mudanças, choques e transformações a que o Mundo nos tem lançado. O que de melhor pode fazer é desafiar-se: abra a gaveta e escolha um projeto desafiador. Setembro é o mote para mudança!
