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A IA não vive na nuvem

07 de setembro de 2026 às 18 h19

Chamamos-lhe «nuvem», mas a inteligência artificial está presa à terra. Vive em servidores, cabos, redes elétricas, água e território. Esquecemo-nos disso quando pedimos uma resposta ao ChatGPT. Queremos os benefícios da IA, mas incomoda-nos a infraestrutura que os torna possíveis. Há uma contradição em celebrar a revolução digital e desejar que as suas fábricas fiquem sempre no quintal dos outros. Isso não torna ilegítimas as preocupações de quem vive ao lado de um centro de dados. O ruído, a pressão sobre a água e a rede elétrica são problemas concretos.

Quando os lucros viajam e os custos ficam, a resistência merece mais do que uma lição sobre progresso. Mas também merece melhor do que o alarmismo populista e ambientalista. O impacto da água depende da localização, da origem e da refrigeração utilizada. Uma instalação numa região seca não equivale a outra que utilize água reciclada. É preciso avaliar projetos, não condenar uma tecnologia por associação. Na energia, a resposta deve ser construir capacidade e exigir que os promotores suportem os custos que provocam. As famílias e as pequenas empresas não devem financiar, na conta da luz, as ambições das grandes tecnológicas.

Para Coimbra e para a região Centro, este debate exige uma pergunta: como transformar investimento tecnológico em valor que fica no território? Não basta anunciar milhões. É preciso exigir compromissos verificáveis com a formação, as empresas locais, a eficiência energética e a proteção dos recursos. Defender a inovação não obriga a passar cheques em branco. Defender o ambiente não pode significar desistir de construir. Precisamos de regras exigentes, decisões em tempo útil e benefícios partilhados. A inteligência artificial não vive na nuvem. E, precisamente por viver num território, precisa de um contrato político com quem lá vive.

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