Salvando o Observatório Espacial Neil Gehrels Swift
O Observatório Espacial Neil Gehrels Swift está a cair. Bem menos conhecido do que o Telescópio Espacial Hubble ou o Telescópio Espacial James Webb, o Observatório Swift foi lançado em 2004 e estudava principalmente raios gama — algo que, apesar da sua grande importância científica, não produz imagens tão vistosas como as do Hubble ou do James Webb. Apesar dos seus mais de 20 anos, o telescópio ainda funciona, mas… está a cair. Melhor dizendo, está a reentrar na nossa atmosfera, fazendo órbitas cada vez mais baixas, o que o levaria muito brevemente a consumir-se como uma estrela cadente. Inicialmente colocado numa órbita a 600 km de altitude, já estava a apenas 360 km. E, quanto mais baixa a órbita, mais força de arrasto sofre (atrito aerodinâmico) e mais depressa reentra.
Estamos habituados à ideia de que a nossa atmosfera acaba a cerca de 10 km de altitude. Na verdade, não acaba. O que acaba é a nossa capacidade de conseguir respirar acima dessa altitude, pois a pressão atmosférica já é tão baixa que não conseguimos absorver o oxigénio presente no ar já muito rarefeito. Mas, tecnicamente, ainda existe atmosfera. E por muito rarefeita que esta possa ser aos 300 ou aos 500 km de altitude, ainda existe massa suficiente para criar algum atrito em algo que orbite a Terra a velocidades de vários quilómetros por segundo. Já todos sentimos a pressão que o ar/vento faz na cara quando pomos a cabeça de fora da janela de um carro. Nada que nos mate a 100 km/h — os ouvidos é que não gostam nada. Mas, acima disso, sem proteção, torna-se perigoso. Os paraquedistas raramente excedem os 200 km/h antes de abrirem o paraquedas, e estão protegidos para essas velocidades. Agora, visualizem um satélite do tamanho de seis frigoríficos, com enormes “asas” (os painéis solares), a cerca de 28000 km/h. Apesar de o ar ser muito mais rarefeito a 350 km de altitude, um objeto deste tamanho fica sujeito a uma força de arrasto que o faz cair cerca de 20 km por ano.
Ao início, o Observatório Swift caía apenas 8 a 11 km por ano. Mas, quanto mais baixa a altitude, mais densa é a atmosfera e mais rápida se torna a perda de altitude. Curiosamente, o Swift caiu ainda mais depressa por causa de um efeito de meteorologia espacial. O nosso Sol esteve num máximo de atividade entre 2023 e 2025, aproximadamente.
Entre máximos e mínimos solares, a variação da temperatura da Terra ao nível do solo não chega a um décimo de grau. Mas tem um impacto enorme nas elevadas altitudes, fazendo com que a alta atmosfera expanda. Essa expansão faz com que os satélites percam altitude muito mais rapidamente. O Swift sofreu com isto — e muito.
A Estação Espacial Internacional (ISS) cai entre 200 a 400 metros por dia e a Estação Espacial Tiangong cai entre 150 a 300 metros. Para se manterem em órbita, ligam regularmente um dos seus propulsores para voltarem a subir e, claro, são regularmente reabastecidas de combustível. O Observatório Swift não tinha propulsores próprios e, por isso, foi sempre perdendo altitude. A solução era, em teoria, muito simples: bastava mandar um foguetão que se acoplasse ao Swift e o empurrasse de novo para os 600 km de altitude.
Na prática, tal é extremamente difícil, mas a verdade é que está a acontecer! A empresa Katalyst Space lançou a missão espacial LINK a 3 de julho. O lançamento não foi feito a partir de um foguetão vertical numa rampa de lançamento, mas sim lançado a partir de um foguetão Pegasus XL suspenso num avião Lockheed L-1011 TriStar modificado — de tamanho semelhante a um Airbus A300 ou a um Boeing 767. Seguem-se agora semanas de testes e mil e um cuidados antes da acoplagem robótica. Em breve, teremos o LINK a empurrar o histórico Observatório Espacial Neil Gehrels Swift de novo para uma órbita a 600 km de altitude, permitindo que este continue a funcionar por mais 10 a 20 anos!
Imagem: Visão artística da aproximação do LINK ao Observatório Swift.
Créditos: NASA / Katalyst Space

