Pureza diz que Governo “bem pode insistir” em “autoritarismo” sobre lei laboral mas está isolado
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O coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, considerou hoje que o Governo “bem pode insistir” numa “tática de autoritarismo” com o objetivo de impor alterações à lei laboral, mas está isolado desde a greve geral de trabalhadores.
“A greve geral [de 11 de dezembro] foi uma demonstração de que a unidade dos trabalhadores e a unidade das forças sindicais, dos seus representantes, é o que faz virar a política e é o que faz virar a intenção do Governo. O Governo ficou isolado desde então e não mais rompeu esse isolamento”, defendeu José Manuel Pureza, após uma reunião com o PCP, pedida pelos bloquistas, que decorreu na sede nacional comunista, em Lisboa.
Interrogado sobre o facto de vários parceiros sociais terem anunciado na segunda-feira o fim das negociações em sede de concertação social sobre o anteprojeto do executivo PSD/CDS-PP, Pureza considerou que tal traduz “o culminar de um caminho que estava já feito, que é o de isolamento crescente por parte do Governo”.
“O Governo pode bem insistir numa tática de autoritarismo, de imposição, mas será uma vez mais a unidade dos trabalhadores, será uma vez mais a luta dos trabalhadores contra o pacote laboral que vai determinar a sua sorte”, avisou.
De acordo com o coordenador nacional bloquista, esta foi uma das matérias sobre a qual BE e PCP encontraram “uma convergência assinalável”, manifestando-se convicto de que “esta luta vai ter uma vitória” que “será muito importante para a democracia portuguesa”.
O anteprojeto intitulado “Trabalho XXI” foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.
Interrogado sobre o apelo do Presidente da República, António José Seguro, para um pacto entre partidos na área da saúde, Pureza respondeu que “há longos anos que há um pacto para a saúde, que é o pacto que destrói o Serviço Nacional de Saúde, que o desqualifica e esse é o pacto que tem prevalecido”.
“O que quer dizer isso de «pacto para a saúde» é algo cujos contornos não conhecemos, mas, evidentemente, que o BE estará sempre, mas sempre, numa perspetiva que foi aquela que, aliás, uniu António Arnaut e João Semedo: na perspetiva de salvar o Serviço Nacional de Saúde e de o tornar um lugar qualificado no âmbito da democracia portuguesa, o lugar maior da democracia portuguesa”, afirmou.
No final do encontro, solicitado pela nova direção bloquista eleita em novembro do ano passado, José Manuel Pureza realçou que o pedido surgiu numa conjuntura de “ataque” do Governo e da direita.
O bloquista disse ter identificado um conjunto alargado de “pontos de convergência” com os comunistas, nomeadamente na “luta contra a revisão do Código do Trabalho” mas também em matérias relacionadas com o aumento do custo de vida ou a saúde. Pureza também se insurgiu contra conflitos mundiais feitos à margem do direito internacional, matéria na qual os dois partidos convergem.
“Foi esse o sentido desta reunião e saímos daqui com a convicção de que fizemos bem em vir conversar com o PCP”, afirmou.
Pureza foi ainda interrogado sobre se esta reunião era uma consequência de ter rejeitado sectarismos quando foi eleito coordenador nacional do BE, com o bloquista a responder que “evidentemente, sim” e a sublinhar que fez questão que a primeira reunião interpartidária da nova direção fosse com o PCP.
Realçando que o BE “é uma força política que tem a sua autonomia”, José Manuel Pureza alertou que a esquerda enfrenta dificuldades que requerem a junção de forças e antecipou outros encontros no futuro.

