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O 8 de dezembro na Universidade de Coimbra

10 de dezembro de 2025 às 11 h09

Nas cortes de 1646 em Vila Viçosa, D. João IV proclamou Nossa Senhora da Conceição como Rainha de Portugal e verdadeira Soberana do país, atribuindo-lhe a coroa da Nação, que mais nenhum Rei Português poderia doravante envergar. Em 1645, seguindo o exemplo da Universidade de Paris, o Rei tenta instituir o Juramento à Imaculada Conceição na Universidade de Coimbra, tendo levado uma goleada num duelo teológico contra os Dominicanos apoiantes de S. Tomás de Aquino. (Perdeu por 34-2).

Sob pressão dos Franciscanos, no ano seguinte D. João IV invoca a táctica do “mas quem é que manda aqui?” e impõe por decreto-régio o juramento solene à Imaculada Conceição, levando a que muitos lentes Dominicanos fossem riscados da Universidade.

Não me arrogando eu a coragem necessária para imiscuir na debuta teológica, vou tentar focar-me na forma de como esta era vista pelos Estudantes. Ao longo de todo o século XIX, a Universidade realizava neste dia uma cerimónia, na Sala dos Capelos, onde eram laureados os melhores estudantes matriculados. A cerimónia começava com o habitual Cortejo Reitoral com a Charamela afinada tom e meio ao lado. Os Lentes sentavam-se segundo a cor da sua Sapiência e os alunos premiados na teia da Sala, onde esperavam a chamada do seu nome para irem receber o pergaminho. Findada a cerimónia, decorria um Baile de Gala nas salas da Reitoria.

A cerimónia era tanto prestigiada quanto satirizada. Os melhores alunos, já intitulados de “ursos”, e eram categorizados entre “ursos maiores” e “ursos menores” em virtude das categorias dos prémios. Já o Baile que se seguia, por ser restrito aos alunos laureados era intitulado como o “Baile dos Ursos” e amplamente satirizado. A sátira elevou-se tanto que os excluídos passaram a organizar, no Largo da Feira e paralelo ao Baile dos Urso, o Baile…dos Cábulas!

Outras edições caricatas deste dia ocorreram em 1862, quando a Sociedade do Raio de Antero Quental aproveita a cerimónia para abandonar a sala ruidosamente em protesto, aquando do discurso do Reitor Basílio Pinto (O “Czar da Borla”, como era conhecido pela Praxe); e em 1908, quando Bissaya-Barreto, ao ser chamado para receber o prémio de Matemática (apesar de ser Médico), recusa-se a levantar causando um embaraço protocolar em que lhe foram levar o diploma às mãos.

Tantas foram as desfeitas que manchavam, ou animavam, o dia que aquando da implantação da República e do fervilhar das veias revolucionárias do corpo discente, que não mais Reitoria retornou à realização desta festa de premiação.”

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