Aeroporto repleto para receber Salvador Sobral à chegada a Lisboa

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O terminal de chegadas do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, encheu-se hoje para receber o vencedor do festival da Eurovisão, Salvador Sobral, que acredita que esta vitória inédita “é muito importante para a cultura” portuguesa.

Salvador Sobral e a irmã Luísa aterraram hoje à tarde em Lisboa e à sua espera estavam largas centenas de pessoas, que quando o viram chegar pelas escadas rolantes aplaudiram e gritaram, em êxtase, “Salvador! Salvador! Salvador!”, que estava rodeado de polícias e visivelmente surpreendido pela receção.

Antes de abandonar o aeroporto, em conferência de imprensa, o vencedor da Eurovisão tinha considerado que este resultado era “muito importante para a cultura portuguesa”, recordando que muitos dos que votaram “não percebiam uma única palavra” e que “a língua portuguesa esteve muito bem representada”.

Depois das dezenas de disparos das máquinas fotográficas dos repórteres, quando Salvador entrou na sala apinhada de jornalistas, da plateia levantou-se uma surpresa para os irmãos Sobral, a avó, que fez questão de ir dar um abraço e um beijo aos netos, antes mesmo de começarem as perguntas.

“O idioma aqui, mais do que a língua portuguesa, foi a música. As pessoas na Europa inteira votaram a canção e não perceberam uma única palavra. Eu podia estar ali a dizer: ‘vão-se todos lixar. A Europa não serve para nada. Queremos sair’ e eles não percebiam”, enfatizou.

Visivelmente cansado – motivo pelo qual pediu desculpas aos jornalistas – Salvador Sobral não perdeu o sentido de humor que o caracteriza e quando questionado sobre o futuro enquanto cantor, brincou: “Vamos ter de cobrar um bocadinho mais pelos concertos”.

O vencedor da edição deste ano do festival da canção quer “continuar a tocar por aí e a trabalhar no segundo disco”, enaltecendo que esta conquista inédita “é um bom passo na música portuguesa”.

“Se podemos ajudar de alguma maneira a música portuguesa, eu fico feliz. Espero que lá fora comecem a perceber que a música portuguesa é muito mais do que aquilo que tem chegado”, confessou.

Interrogado sobre o impacto que espera que este prémio vá ter na cultura portuguesa, Salvador começou por destacar a organização do festival em Portugal no próximo ano.

“Acho que isso vai contribuir bastante não só para a cultura mas também para o turismo. Sei que é preciso gastar muito dinheiro e peço desculpa à RTP, mas acho que vai ser recompensado”, atirou, perante as gargalhadas dos presentes.

Sem querer “ser prepotente, mas sendo-o”, o cantor considera que esta vitória “é muito importante” para a cultura nacional, confidenciando que recebeu duas estatuetas, indo a maior para casa dos pais e a mais pequenina para a RTP.

“A canção é tão bonita e não nos compromete de maneira nenhuma e as pessoas pensam: se isto é a música que se faz em Portugal então eu quero saber mais”, afirmou.

Para a compositora de “Amar pelos Dois”, a irmã Luísa Sobral, não há um problema de línguas, mas decidiu que só fazia sentido escrever em português, uma vez que esta canção era para representar Portugal.

“Eu, que falo fluentemente em inglês, a maior parte daquelas canções, eu não percebia o que é que eles estavam a dizer”, lamentou Luísa, completando Salvador que “nem eles próprios percebiam”.

Depois da conferência de imprensa, Salvador Sobral foi engolido pela multidão que encheu o terminal de chegadas do aeroporto Humberto Delgado e que gritava pelo nome do cantor e de Portugal, tendo entoado “Obrigado! Obrigado! Obrigado!”.

Protegido por um cordão de polícias que furou a moldura humana, Salvador entrou no carro que o esperava à porta, tendo os presentes, na despedida, cantado de novo o refrão da música que levou Portugal a vencer, pela primeira vez, em mais de cinco décadas de participação, o festival da canção da Eurovisão.

A canção vencedora, “Amar pelos dois”, obteve 758 pontos na votação combinada dos júris nacionais e do público, na final do festival disputada em Kiev, na Ucrânia, que foi transmitida em direto pela RTP1, no sábado à noite.

A final do Festival Eurovisão da Canção foi disputada por 26 países.

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