Opinião – Óscar Lopes

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António Augusto MenanoAntónio Augusto Menano

Em 1954 os alunos do colégio “Academia Figueirense” fizeram uma viagem de estudo, depois de Lisboa, Alcobaça e Mafra, onde comprei o livro “Realistas e Parnasianos, antologia de poetas “, precedida de um estudo de 73 páginas de Óscar Lopes.

Estávamos em 1 de abril, e tinha dezasseis anos Não vou falar daqueles escassos dias, em que na companhia de colegas, entre os quais João César Monteiro, abrimos alguns pequenos caminhos na descoberta do nosso país. Cito-a porque foi o início do meu contacto com Óscar Lopes, falecido no Porto, na sua casa com um jardim de camélias, no passado dia 22 de março. Depois, em 1969, enviou-me “Ler e Depois, Crítica e Interpretação Literária!”, e em 1974 recebi”Convite para a URSS”, ambos com gentis dedicatórias.

A envergadura, cívica e literária do autor, com António José Saraiva da “História da Literatura Portuguesa”, não tem paralelo no Portugal contemporâneo, escreveu Eduardo Lourenço:”Se a Presença foi a geração dos nossos pais, a de Óscar Lopes e Jorge de Sena foi a dos nossos irmãos”. E acrescentou “Óscar Lopes foi um dos maiores representantes, se não mesmo o maior dessa galáxia marxista ou marxizante …” “Ele era um mestre…”.

Proibido de viajar, preso, impedido de lecionar na Universidade, na qual após o 25 de Abril foi catedrático, Óscar Lopes deixou uma lacuna na sociedade portuguesa.

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