Opinião – Erros, erros e mais erros

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EUGENIO ROSAEugénio Rosa

Em três anos de governo PSD/CDS ( 2011/2013 ), a taxa oficial de desemprego aumentará de 12,4% para 18,9%, ou seja, em 52,4%, e a taxa real de desemprego que inclui os desempregados que não constam dos números oficiais de desemprego; repetindo, a taxa real de desemprego aumentará, em 3 anos, de 17,7% para 28,2% (+59,3%).

Segundo o próprio governo, no fim de 2013, o desemprego oficial atingirá, pelo menos, 1.040.800 portugueses, e o desemprego real, calculado com base em dados do INE, deverá atingir, pelo menos, 1.641.120 portugueses. E segundo as previsões apresentadas pelo próprio Vitor Gaspar, na conferencia de imprensa de apresentação dos resultados da 7ª avaliação da “troika” em 15.3.2013, a taxa de destruição de emprego, em 2013, será de 3,9%, a adicionar aos 4,2% verificados em 2012. Assim, em 3 anos de “troika” e de governo PSD/CDS, serão destruídos em Portugal 510.900 empregos, ou seja, à média de 509 postos por dia. Mas no 4º Trimestre.2012, essa média subiu para mais de 1.300 empregos destruídos por dia, o que revela uma aceleração.

Como afirmamos numa reunião no Conselho Económico Social, em que participamos em representação da CGTP, e em que esteve presente o sr. Benoit Ceuré, membro do conselho executivo do BCE, não há país que consiga sobreviver durante muito tempo com este nível de destruição de emprego. Só a cegueira ideológica é que impede que o FMI, BCE, CE, Vitor Gaspar e o governo, possam pensar que os resultados podiam ser diferentes. O aumento brutal do desemprego e a destruição maciça de emprego tem causado uma perda enorme de riqueza.

Em três anos de “troika” e de governo PSD/CDS, tomando como base de cálculo o PIB criado por cada empregado (para o obter divide-se o valor total do PIB de cada ano pelo total de empregados), o valor do PIB que podia ter sido criado e não foi, devido ao facto dos desempregados não terem trabalho e, consequentemente, não poderem produzir, varia entre 91.468 milhões € e 142.273 milhões €, se consideramos o desemprego oficial ou o desemprego real respetivamente, o que corresponde entre 55% e 85,5% do valor do PIB total de 2012.

O “folhetim” das continuas alterações das previsões do défice elaboradas pela “troika” e pelo governo, e a incapacidade, apesar de todas essas alterações, de acertar, mesmo de uma forma aproximada, com o valor défice real final, mostra bem a incapacidade quer da “troika” quer do governo em compreender a economia e a sociedade portuguesa.

No “Memorando” assinado em Maio de 2011, previa-se, para 2011, um défice orçamental de 5,9%, mas o défice real, sem medidas criativas, mas com medidas temporárias (ex. corte nas remunerações da Função Pública) atingiu 7,4%. Se comparamos com o valor do défice real de 2010 – 9,6% – conclui-se que se verificou uma redução de 2,2 pontos percentuais. Para 2012, estava previsto no “Memorando” inicial um défice de 4,5%, na 6ª avaliação foi fixado um novo valor – 5% – mas o défice real, segundo Vitor Gaspar, atingiu 6,6% em 2012, o que significa, em relação ao défice real de 2011, uma redução de apenas 0,8 pontos percentuais. Para os anos de 2013/2015, as previsões já sofreram significativas alterações. Por ex, a previsão do défice orçamental para 2013 que era no “Memorando” inicial, de 3%, na 7ª avaliação da “troika” passou para 5,5%, portanto um desvio de +83,3%. São erros demasiadamente frequentes e muito elevados que revelam também uma incapacidade de compreender a realidade económica, e as suas leis fundamentais.

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