Dia do Antigo Estudante
O “Dia do Antigo Estudante de Coimbra” celebra-se a 4 de Abril.
Este ano ocorre em plena Páscoa, coincidindo com o Sábado de Aleluia. Ou seja, numa altura em que a Academia está de férias – bem como milhares de outras pessoas que aproveitam esta época para rumar às terras de origem e partilhar a quadra festiva com a família. Por tal motivo, e ao contrário do que tem sucedido nos anos anteriores, a AAEC não promoverá celebrações no próximo sábado. Ainda assim, quero aqui assinalar a efeméride.
Desde logo, recordando as razões pelas quais se convencionou que o “Dia do Antigo Estudante” se celebraria a 4 de Abril. Tal fica a dever-se ao facto de ter sido nesse dia que, há 72 anos (em 1954), um pequeno grupo de estudantes protagonizou o episódio de ocupação de instalações, que ficou conhecido como “Tomada da Bastilha II”.
Importa referir que a primeira “Tomada da Bastilha” da Academia de Coimbra ocorreu a 25 de Novembro de 1920, quando 40 estudantes da Universidade (liderados pelo aluno de Direito Alfredo Fernandes Martins, que viria a ser um dos mais prestigiados advogados de Coimbra e fundador da Casa dos Pobres) ocuparam o Clube dos Lentes, exigindo melhores instalações para a Associação Académica. E foram os próprios “conjurados” que adoptaram essa designação, por analogia com a “Tomada da Bastilha” original, ocorrida na Revolução Francesa de 1789 (com o assalto ao presídio chamado La Bastille, em 14 de Julho de 1789, até hoje celebrado como o Dia Nacional de França).
A verdade é que em 1954 a Associação Académica estava instalada, provisoriamente, no Palácio dos Grilos, aguardando que lhe fosse facultado espaço mais adequado. Como isso tardasse, membros da Direcção-Geral da AAC, então presidida por Fernando Mendes Silva (que mais tarde viria a ser Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e Presidente da Académica-OAF), e elementos da Tuna e do Orfeon, decidiram seguir o método adoptado pelos seus colegas de 1920, e ocuparam o “Clube dos Lentes”.
O grupo destes novos “revoltosos” incluía, entre outros (e para além do já citado Mendes Silva), Afonso Moura Guedes, Viriato Namora, Júlio Serra e Siva e o seu irmão Polybio Serra e Silva.
A polícia interveio, mas não houve confrontos nem prisões, pois, entretanto, em plena madrugada, foi chamado o Reitor, Maximino Correia. Após demoradas conversações, os estudantes acabaram por abandonar o edifício, face à promessa de que a sua reivindicação seria transmitida ao Governo. E a verdade é que o caso chegou ao conhecimento de Salazar, que terá comentado que “os rapazes têm razão”, dando instruções para se avançar para um edifício de raiz para a AAC. E assim foi iniciado o processo que levaria à construção da nova sede da AAC, incluindo o Teatro Académico de Gil Vicente, cuja inauguração aconteceu em 1961. Foi esta conquista que justificou que 4 de Abril passasse a ser o “Dia do Antigo Estudante de Coimbra”.
Um dos mais activos participantes nesta “II Tomada da Bastilha” foi, como acima refiro, Polybio Serra e Silva. Este Professor Catedrático da Faculdade de Medicina foi também um dos fundadores da AAEC em 1959, e um dos nossos mais dedicados e entusiastas dirigentes, para além de antigo membro da Tuna Académica da UC e de insuperável defensor e cultor das tradições académicas e da música de Coimbra. Faleceu em Outubro de 2022, mas continua bem presente nos nossos corações e na memória de quantos tiveram o privilégio de com ele privar.
Evocando o seu exemplo, nele homenageamos todos os antigos estudantes de Coimbra, sobretudo os que já nos deixaram.
