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ONU aprova classificação internacional de locais de morte criada na Universidade de Coimbra

05 de novembro de 2026 às 10 h19
Fotografia: DR

A Comissão Estatística da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma classificação internacional de locais de morte desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC), que pretende padronizar o registo daqueles dados, informou a instituição de ensino superior portuguesa.

“A ONU reconhece esta classificação como uma ferramenta vital para melhorar os dados sobre saúde e os cuidados de saúde a nível mundial”, disse a UC, em comunicado enviado à Agência Lusa.

A Classificação Internacional de Locais de Morte (ICP, na sigla inglesa) foi criada na UC no âmbito do projeto EOLinPLACE – Escolha de onde morremos: uma reforma da classificação para discernir a diversidade nos percursos individuais de fim de vida.

 

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Com esta aprovação, a classificação passa a integrar a Família de Classificações Internacionais da ONU.

Segundo a UC, a decisão encoraja todos os países a adotar a ICP, o que vai possibilitar a comparação internacional de dados e a produção de estatísticas a nível global, “com o propósito de apoiar decisões para melhorar os cuidados prestados” às pessoas no fim de vida, nos diferentes locais onde possam e queiram estar.

O objetivo da ICP é padronizar e enriquecer a forma como os países registam e analisam dados sobre os locais de morte e de cuidados em fim de vida.

“Vem dar resposta à necessidade de existirem métricas comuns robustas, capazes de ir para além dos atuais simples registos de lugar de morte, e que incluam também os diversos locais onde as pessoas recebem cuidados durante a fase final da sua vida”, afirmou a instituição.

A investigadora da Faculdade de Medicina da UC Bárbara Gomes, que é responsável pela ideia, explicou que não existia uma classificação internacional de locais de morte e que “as classificações nacionais são incompletas e inconsistentes”, dificultando a comparação de dados.

“Faz com que as comparações entre países se limitem frequentemente à distinção entre morte em casa e em hospitais; e mesmo estas comparações carecem de rigor, devido à variação das categorias e do que é incluído em cada uma delas”, referiu.

A nova classificação compreende cinco tipos de local de morte (habitação/domicílio; instituições de saúde ou de outros tipos de cuidados; outras instalações; veículos; e espaços exteriores), com subdivisões mais detalhadas.

É também possível especificar de forma livre outros locais não contemplados nas categorias e situações em que se desconhece o local.

“A adoção desta classificação pode contribuir significativamente para políticas públicas de saúde e apoio social mais informadas, sobretudo sobre cuidados paliativos, mas não só”, defendeu a também investigadora do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia.

Bárbara Gomes acrescentou que “há muitas áreas de atuação onde os dados sobre locais de cuidados e de morte têm impacto direto nas decisões dos governos e das organizações internacionais, em situações normais ou de crise, por exemplo, humanitária”.

A classificação foi construída com base em estudos realizados nos últimos quatro anos, sobre onde as pessoas são e preferem ser cuidadas e, eventualmente, morrer.

A recolha de evidência científica ocorreu em colaboração com instituições de Portugal, Países Baixos e Uganda.

Foram também envolvidos representantes de doentes e cuidadores, entre eles familiares e profissionais.

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