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Outra vez ranking?

05 de novembro de 2026 às 09 h30

Tão fatal como as amêndoas na Páscoa ou o bolo-rei no Natal. Chegada esta altura do ano mais semana menos semana, temos o ranking a obrigar as comunidades escolares a arriscados e enganosos exercícios de decifração do tipo esta escola é melhor do que aquela, está no ranking, portanto, meu menino, vais mesmo para ela. Isto é, muita gente se vê envolvida num engano com a pseudo- classificação da qualidade das nossas escolas.

E porquê o engano? Quem se dedica afanosamente à procura de apoio às melhores opções para os filhos é claramente burlado pelo faz de conta da utilidade e da ajuda que pode beber nestas listas de brincar.

Com efeito, comparam-se dados incomparáveis, sem ter em conta os contextos em que vive cada estabelecimento de ensino. Para os ranking “estudo a fingir” só as notas dos exames nacionais contam, o resto é mesmo paisagem. Assim se revela a qualidade da escola? Não brinquemos com coisas sérias. E o isolamento geográfico de tantas escolas? E a tardia colocação dos professores? E as longas viagens que ainda hoje muitos jovens têm de fazer para chegar ao estabelecimento de ensino que lhe fica mais perto de casa? E as próprias condições materiais de cada escola? Nada disso fica refletido na ordenação de escolas de todo o país.

Procurei ver como aparecem nos ranking de um semanário de referência três escolas de uma mesma cidade, capital de distrito.

A escola A recebeu de 2020 a 2026 as seguintes posições rankianas: 53, 69, 61, 80, 101, 75, 70.

A escola B brilhou com 92, 106, 145, 187, 142, 156, 124.

A escola C portou-se assim: 140, 77, 209, 165, 102, 119, 112.

Repito: estamos a falar de três escolas da área urbana de uma cidade capital de distrito, com corpos docentes razoavelmente estáveis, com transportes à porta, com índices de assiduidade de alunos e professores normais. Alguém acha credível que de 2021 para 2022 uma delas passe da lugar 77 para o lugar 209 e no ano seguinte para 165? O que poderia ter acontecido para esta situação?

Quem divulga os dados dos ranking e quer fazer leituras da qualidade de cada estabelecimento de ensino a partir daí está a prestar um mau serviço às escolas, aos professores e funcionários, aos alunos. Mais ainda: ajuda a desinformar, a enganar os incautos, a iludir os mais novos da família, a dar como certo o que não o é, a arrastar para uma ilusão quem não se move tão bem nesta área da vida de todos nós..

Obviamente que estamos a falar da escola pública, aquela em que se matricula a grande maioria dos estudantes. E é essa que urge melhorar, cativar, apoiar.
Eu sei que para o ano lá voltaremos à carga. Paciência…

Pode parecer estranho que o que vou escrever a seguir não tenha nada a ver com o que vai acima. Puro engano; tem mesmo tudo a ver.

O direito à habitação foi uma das conquistas da democracia mas que, infelizmente, foi cumprida a velocidade mínima e a ocupação parcial de espaços. Não me apetece discutir agora qual o partido que melhor interpretou as necessidades da população, não sendo aqui relevante.neste espaço.

O lamentável espetáculo a que assistimos no Porto e em Lisboa com cargas policiais sobre cidadãos que se manifestavam de forma pacífica, provavelmente muitos com razões diferentes de outros, traduz a incapacidade da sociedade de educar para a democracia e de trabalhar intensamente em nome da paz e de um mundo melhor.

Ora, cinquenta anos depois do 25 de abril de 1974 garantidamente que não estava em jogo a elaboração dos ranking entre polícias do Porto, de Lisboa, de Paris, de Milão e de mais umas tantas cidades e países. Estava em causa a confusa diligência a que as policias foram chamadas a realizar por despacho do poder político.

Quando os cidadãos exprimem o desejo da manutenção de um regime e de uma vontade de viver pacificamente, o que se vai esfumando, porque os detentores dos instrumentos de mando preferem obedecer ao dito popular “se queres conhecer o vilão poe lhe a vara na mão”, fechando olhos e ouvidos ao “com paz é que se trabalha.”

Ainda vão a tempo de corrigir a direção. Querem? Se não quiserem, a gente está cá!

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