Judo: Medalha de prata “significa muito” – Sofia Gaspar
Judoca da Académica fez história em Dakar (Senegal) | Foto: COP
Judoca da Académica foi vice-campeã, em -52 kg, nos Jogos Olímpicos da Juventude. Coimbra está representada em Dakar por mais dois atletas, Maria Clara Pires e José Azevedo.
Sofia Gaspar “ofereceu” ontem a primeira medalha a Portugal na quarta edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, com a prata da judoca nos -52 kg a juntar-se ao sucesso de Júlia Leal, no ténis de mesa, e da equipa masculina de futsal.
“[A prata] significa todo o esforço que eu deixo em cima do tapete, significa muitas horas de trabalho. Significa muito”, reconheceu a judoca da Académica, após subir ao pódio no Dakar Expo Center, em Diamniadio.
Frente à cazaque Fatima Supygaliyeva, número um do ranking mundial e vigente campeã do Mundo de cadetes, a judoca de 16 anos até esteve em vantagem, após conseguir um ‘yuko’, mas acabou derrotada com um ‘ippon’, por submissão, após 02.33 minutos.
No caminho para a final, Gaspar, que ficou isenta na primeira ronda, começou por afastar a belga Viktoria Grigoryan.
Depois de ter visto dois castigos, a lusa levou o combate para o ‘golden score’, no qual conseguiu um ‘yuko’ para seguir em frente.
Nas ‘meias’, a segunda cabeça de série precisou de pouco mais de um minuto para derrotar moldava Alexandra Chiron, por ‘ippon’.
A prata de Sofia Gaspar é a primeira medalha conquistada pela Missão nacional em Dakar2026 e a 13.ª de Portugal em quatro edições dos Jogos Olímpicos da Juventude.
A jovem da Académica junta-se a Maria Siderot, campeã de equipas mistas em Nanjing2014, como únicas medalhadas do judo português no evento.
No dia da primeira medalha nacional, também Júlia Leal garantiu o acesso à fase a eliminar no ténis de mesa.
Nos oitavos de final, irá ter pela frente a francesa Nina Guo Zheng, quarta cabeça de série.
Vitoriosa foi também a estreia de Portugal no torneio masculino de futsal; os lusos impuseram-se a Marrocos, por 4-1, na jornada inaugural do grupo B.
Menos feliz foi a jornada de Rafaela Silva, que somou a segunda derrota em outros tantos jogos do grupo B, e já sabe que não avançará para a fase seguinte do torneio feminino de badminton, embora ainda vá defrontar a finlandesa Ananya Kandala na terça-feira.
No wushu taolu, também Lara Marques falhou o acesso à final no combinado changquan, depois de acabar na 10.ª posição as qualificações – apuravam-se apenas as oito primeiras.
Portugal participa com 25 atletas no Dakar2026, primeiro evento olímpico em África.
Porta-estandarte
A medalha de prata conquistada ontem por Sofia Gaspar, na capital do Senegal, ganha ainda maior significado pelo percurso recente da jovem judoca conimbricense, de apenas 16 anos, que tem acumulado vitórias internacionais e foi escolhida pelo Comité Olímpico de Portugal para ser porta-estandarte da Missão portuguesa na cerimónia de abertura de Dakar 2026, juntamente com o atleta de futsal do Burinhosa, Alexandre Gaspar. Sofia Gaspar tornou-se, assim, a primeira mulher a transportar a bandeira portuguesa numa cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos da Juventude.
Três atletas de Coimbra
Além de Sofia Gaspar, Coimbra está representada nos Jogos Olímpicos da Juventude por dois outros atletas: Maria Clara Pires, da Escola de Atletismo de Coimbra/AR Casaense, e José Azevedo, da Naval Remo. Maria Clara Pires, de 17 anos, compete nos 3.000 metros. A fundista conquistou, em 2025, a medalha de ouro nos 3.000 metros dos Jogos da CPLP, representando Portugal. O seu melhor registo de 2026 na distância é de 9:59,58 minutos. José Azevedo, da Naval Remo, já entrou em competição, no Beach Sprint de remo de mar, em Saly, tendo terminado no 21.º lugar e ficado fora da ronda dos 16 melhores.

