A política da ruralidade
Escreva-se o “Livro Branco ou talvez Negro” da habitação, faça-se justiça – conseguir-se-à fazer? – e vamos ver quantos se safam da pildra! Ah, já me esquecia, os políticos têm o mesmo estatuto dos juízes; não podem ser responsabilizados pelas decisões que tomam!
Há muitas décadas que a política de habitação serve para encher os bolsos a poucos em detrimento de muitos! É um clássico, quando não se acautelam as políticas públicas!
Os jovens que agora protestam estão “carregadinhos” de razão. O que eu lamento, é o aproveitamento dos que, em tempos de “geringonça” e outros anteriormente afinaram pelo mesmo diapasão dos fundos e dos mercados.
Os mesmos outros, que, em “tempos que já lá vão”, se manifestavam contra o cimento, exigindo enormes áreas de reserva agrícola e reserva ecológica. O resultado de terem dado ouvidos a estes idiotas, é que hoje as pessoas precisam de uma casa e não a conseguem ter!
Mal vão aqueles que se refugiam no argumento estapafúrdio da entrada aos magotes de estrangeiros promovida pelo Dr. António Costa, como causa de não haver habitação. É de uma hipocrisia de todo o tamanho porque, estes, são os mesmos que atentaram contra a construção de habitação.
Claro que a comunicação social amplifica os protestos. Se tal não acontecesse, e ninguém soubesse das “acampadas”, elas teriam acabado no dia seguinte. Podemos apelidar até, de “comunicação enganosa!
As famílias vivem diariamente bombardeadas com “coisas” que só interessam às “mulheres, e homens, de soalheiro”, tais como, a questão do Ronaldo – até as lágrimas me vieram aos olhos!- as acampadas, agora o desastre dos comboios em Espanha, depois a guerra da Ucrânia e as eleições em Israel com os partidos árabes a decidir quem governa – “quem houvera de dizer” – porque as do Brasil já estavam resolvidas e ainda ninguém tinha percebido!
Os jovens e quaisquer outros, precisam de casa para viver, constituir família, mas têm de a pagar. Quando as “coisas são dadas e arregaçadas” os próprios não sentem o seu valor porque não há esforço para ter esse bem.
Casas sim. A preço controlados, obviamente. Mas cada agregado familiar deverá pagar para que um dia a casa seja efectivamente sua, para não depender de um “qualquer” senhorio. Perceber que a casa lhes saiu do corpo, com muito esforço, muita dedicação e muito cuidado com o bem que será seu e dos seus filhos.
O Senhor Primeiro Ministro fez bem em “não ir falar com os manifestantes e estar sujeito a assembleias populares” que não servem para coisa nenhuma, a não ser para “encontrar líderes de pacotilha” que não têm uma ideia para coisa nenhuma.
A oposição – PS – deveria ter feito a mesma coisa, porque vivemos num Estado de Direito democrático com os órgãos a funcionar.
O Senhor Presidente da República, responde como uma reunião do Conselho de Estado, banalizando um órgão que só deveria ser chamado a pronunciar-se sobre factos de resolução imediata, e não sobre políticas de médio e longo prazo cuja responsabilidade é do governo em funções!
Fazer uma reunião com “entendidos em habitação”, é a mesma coisa que o “Ti António do Vimeiro” fazia quando nomeava grandes comissões, para depois ser ele a decidir porque das comissões não saía nada de útil.
É, parece-me, uma aposta na “ruralidade” da política, um debate balofo, o que não será útil nem desejável, digamos até, uma inutilidade, ainda que a tendência nos próximos tempos seja essa!

