Ordem inexplicável a maquinista provocou colisão, diz governo espanhol
Fotografia: DCarlos Rosillo
O acidente ferroviário de hoje em Espanha é “verdadeiramente inverosímil” e deu-se após um dos comboios ter recebido uma ordem “inexplicável” para avançar quando havia um sinal vermelho e outras composições paradas na mesma linha, segundo o Governo.
No acidente, em que morreram pelo menos 64 pessoas, um comboio de alta velocidade chocou com outro, também de alta velocidade, perto da estação de Urda, Toledo, que estava parado na via.
Segundo o ministro dos Transportes de Espanha, Oscar Puente, houve hoje por volta das 08:30 locais (07:30 em Lisboa), uma falha no sistema automático de segurança, por causa de falhas nas redes de comunicação, o que obrigou a parar de forma automática todos os comboios que circulavam num troço de 63 quilómetros.
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Devido à falha informática, o controlo da circulação passou a ser assumida por um centro de controlo que funciona em Madrid.
Foi então que, às 08:36, um dos comboios (um AVE, da empresa pública Renfe) recebeu uma ordem ou foi autorizado a “retomar a marcha com normalidade” e chocou com um outro comboio, da empresa privada Iryo, que continuava parado à entrada da estação de Urda, segundo o ministro, que falava numa conferência de imprensa em Madrid.
Nesse momento, segundo todos os protocolos, o comboio AVE, como os restantes que estavam nesse troço de 63 quilómetros, “tinha obrigatoriamente de estar parado e não podia retomar a marcha”, havendo, além disso, outro comboio na mesma via e um sinal vermelho que o deveria impedir de avançar, afirmou Oscar Puente.
O comboio da Renfe percorreu ainda 25 quilómetros, em 15 a 17 minutos, antes de chocar com o Iryo, num tramo de via em que estas composições podem alcançar os 200 quilómetros por hora, acrescentou.
“Um acidente por alcance na rede ferroviária espanhola é verdadeiramente inverosímil” e a indicação dada pelo centro de controlo é “inexplicável”, considerou o ministro.

