Critical Software muda-se para a Baixa de Coimbra e espera efeito de contágio
Fotografia: Pedro Filipe Ramos
A tecnológica Critical Software inaugura hoje novas instalações na antiga Coimbra Editora, na Baixa da cidade, e espera que a mudança para o centro urbano tenha um efeito de contágio naquela zona.
A nova sede da Critical Sofware é inaugurada hoje, com uma intervenção assinada pelo arquiteto João Mendes Ribeiro que recuperou o edifício de 1932 da antiga Coimbra Editora e construiu um novo num espaço adjacente, num total de seis mil metros quadrados e capacidade para cerca de 600 trabalhadores.
A construção, a escassos metros da frente ribeirinha e do corredor do ‘metrobus’, mantém viva a memória da extinta Coimbra Editora, seja pela manutenção de vários elementos do armazém, preservando vigas de madeira, chão de madeira e alguns elementos interiores, mas também pelas referências à tipografia e impressão, com folhas de offset a servirem de placas de sinalética.
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Entre o edifício novo e o velho surge agora uma praça, que se quer pública e utilizada pela cidade, assim como o restaurante e cafetaria que irá estar no rés-do-chão da nova construção de quatro pisos.
O presidente do Conselho de Administração (CA) da tecnológica, Gonçalo Quadros, afirmou à agência Lusa que a empresa tinha “uma certa vontade de contribuir, de alguma forma, para que a Baixa possa renascer”.
“Isso faz-se com pessoas e com dinâmica no dia-a-dia”, disse, recordando que a descoberta daquele espaço deixou a empresa maravilhada, tendo decidido avançar com a compra do espaço.
Gonçalo Quadros, que se recusou a divulgar o valor do investimento feito com a nova sede, afirmou que espera que esta mudança possa ter um efeito de contágio.
“Já algumas empresas fizeram este caminho há mais tempo e, provavelmente, até em circunstâncias mais difíceis do que nós estamos a fazer […]. Este tipo de projetos tem que vir para a Baixa, tem que ajudar a Baixa, porque vão ocupar e recuperar espaços como este, vão trazer criatividade, pessoas, interação e capacidade de fazer comunidades fortes”, salientou.
O cofundador da Critical disse que a recuperação da frente ribeirinha e a passagem do ‘metrobus’ abrem também novas possibilidades de transformação na Baixa e admitiu esperar que os seus trabalhadores não se desloquem para a empresa de carro, mas com recurso a transportes públicos ou mobilidade suave.
Todos os trabalhadores da Critical em Coimbra – cerca de 500 – irão mudar-se para as novas instalações, com os edifícios em Taveiro a ficarem reservados para as duas ‘joint ventures’ que a tecnológica tem (Coimbra Flytech, com a francesa Airbus, e a Stadler Digital Labs, com a suíça Stadler).
No futuro, admitiu que gostaria de ver também essas duas ‘joint ventures’ fazerem o mesmo movimento de instalação no centro da cidade.
“A cidade é o lugar certo para projetos como os nossos, para a indústria criativa e indústria com base em conhecimento. Portanto, nós, seguramente, vamos continuar a fazer um caminho em que vamos criar mais empresas e esperamos ter condições para continuar a instalar aqui, à nossa volta, empresas. E fazer da Baixa um sítio útil, vivo, não apenas porque é habitado por pessoas, mas onde há economia e projetos vibrantes”.
A intenção de a Critical Software mudar-se para aquele espaço surgiu em 2018, mas a mudança foi adiada por causa da covid-19, explicou o presidente do CA.
“Quando a covid-19 aparece em 2020, nessa altura, a relação com o espaço mudou radicalmente e nós tínhamos uma certa dificuldade em perceber se haveria lógica em fazer um investimento importante, se íamos precisar de espaço ou não”, recordou.
A Critical Software chegou a ponderar avançar apenas com a reabilitação do antigo edifício da Coimbra Editora, face às mudanças na relação com o espaço de trabalho, com Gonçalo Quadros a reconhecer que foi “muito difícil” retirar as pessoas do teletrabalho.
“Foi muito difícil criar um contexto em que as pessoas voltassem”, disse.

