Coimbra

“A Faculdade de Medicina captou 17 milhões de euros para investigação nos últimos quatro anos”

21 de outubro de 2026 às 12 h28
“A FMUC não pode perder nunca a sua missão matricial de formar os melhores médicos e médicos dentistas, a par dos melhores e mais bem preparados cidadãos”, salienta Robalo Cordeiro

A captação de 17 milhões de euros para investigação nos últimos quatro anos é um dos resultados destacados por Carlos Robalo Cordeiro, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). Em entrevista, aborda os desafios da investigação, o impacto da inteligência artificial no ensino médico e as mudanças na formação dos profissionais do futuro. O Dia da FMUC assinala-se hoje, às 09H00, no Polo das Ciências da Saúde, com António Lobo Xavier e a assinatura de acordos para novas parcerias na área da saúde.

A FMUC tem uma tradição secular. Num momento em que o ensino da Medicina está a mudar profundamente, o que é que a Faculdade não pode perder e o que é que tem, necessariamente, de mudar?
A Faculdade de Medicina não pode perder nunca a sua missão matricial de formar os melhores médicos e médicos dentistas, a par dos melhores e mais bem preparados cidadãos, com um espírito crítico e ético essencial para enfrentar os novos desafios da sociedade contemporânea e as necessidades de quem mais necessita do seu apoio.

É, por isso, fundamental a promoção, nos nossos alunos, de competências sociais, humanísticas e éticas, a par da formação médica e digital, condições essenciais na preparação dos profissionais do futuro.

A Inteligência Artificial (IA) está a entrar rapidamente na Medicina, desde o diagnóstico à investigação e à decisão clínica. Os estudantes estão a ser ensinados a usar a IA sem deixarem de pensar como médicos?
Esse é um dos desafios nucleares das Escolas Médicas, mas também de toda a Universidade: a utilização criteriosa da IA no ensino (a transição de um modelo de professor transmissor de informação para o professor mentor, curador do conhecimento e interlocutor crítico), a preocupação com os processos de avaliação (nomeadamente na exponenciação da fraude), a sua aplicação no âmbito da investigação (e da gestão) e, especificamente, a preparação dos futuros médicos e médicos dentistas para trabalhar numa sociedade e numa comunidade com acesso a mais informação, o que não significa necessariamente mais conhecimento.

Um bom exemplo deste compromisso da nossa Escola expressa-se num conselho pedagógico aberto, que acontecerá no dia 4 de novembro, onde se discutirá, com protagonistas de dentro e de fora da FMUC, a utilização consciente e criteriosa da IA no ensino e na avaliação.

A FMUC tem avançado com reformas pedagógicas nos Mestrados Integrados em Medicina e em Medicina Dentária. O que mudou, na prática, na forma como se ensina e aprende?
As revisões pedagógicas nos Mestrados em Medicina (MIM) e em Medicina Dentária (MIMD) aproximaram mais os curricula e a formação dos estudantes à dinâmica e necessidades atuais.

No MIM, a partir do próximo ano letivo, com a integração mais precoce dos alunos na componente clínica, com a utilização majorada da simulação biomédica, com a criação de módulos de preparação para a atividade clínica em diferentes cenários, do internamento ao ambulatório e à emergência, e, fundamentalmente, com a inclusão das chamadas “entrustable professional activities “na formação pré-graduada, registadas, obrigatoriamente, como tarefas e comportamentos a cumprir, em logbook de competências dos alunos.

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