Coimbra

Seis centenários (e dois a caminho) no lar de Bencanta

16 de outubro de 2026 às 08 h15
No Lar Graça de São Filipe, em Bencanta, seis residentes completaram um século de vida em seis meses | Foto: Ana Catarina Ferreira

Há quem chegue aos 100 anos sem esperar tanto da vida. E há quem, depois de um século de histórias, continue a encontrar motivos para sorrir. No Lar Graça de São Filipe, em Bencanta, seis residentes completaram um século de vida em seis meses, um acontecimento inédito nos 46 anos da instituição.
Helena Silva, de 103 anos, é a mais velha. Varela Pècurto fez 101. Teresa Vale, Emília Azevedo, Amélia Sottomayor e Orlanda de Carvalho chegaram aos 100 anos. E a lista vai crescer: Matutina Carvalho sopra as 100 velas a 17 de dezembro e Antero Gonçalves a 1 de janeiro de 2027.
O almoço de ontem foi, por isso, diferente dos encontros mensais em que a instituição reúne os residentes para cantar os parabéns aos aniversariantes. Desta vez, a longevidade mereceu uma celebração própria. Não é todos os dias que se juntam tantas vidas que atravessaram um século.

“Acho que eles são felizes”, diz Maria do Carmo Estevinha Carvalho, presidente da direção da instituição. Não fala de uma felicidade perfeita, sem limitações ou dias difíceis. Fala de uma vida feita de pequenos gestos, de companhia e de cuidado. “Um sorriso, muitas vezes, resolve muita coisa”, lembra.
Neste lar há ginástica, passeios e até um “coro com orquestra”, como lhe chama, com humor, o professor que ensina alguns residentes a tocar cavaquinho. As atividades procuram também responder aos desejos dos próprios utentes. Para muitos, o lar onde vivem há décadas tornou-se,a sua casa.

“Sou muito feliz”
Helena Silva, que fará 104 anos a 11 de fevereiro, está no lar há 25 anos. O marido também viveu ali e morreu aos 87 anos, poucos dias antes de ela completar 90. Durante anos, os dois passearam juntos, numa vida que recorda como muito boa.
O tempo trouxe-lhe limitações, mas ainda há passeios, idas à praia e, de vez em quando, visitas a Fátima. Mantém também o gosto de se arranjar, um cuidado consigo própria que os anos não lhe tiraram. Helena não aponta fórmulas mágicas para uma vida tão longa. Fala, antes, do carinho da família e do cuidado de quem hoje a acompanha. Aos 103 anos, faz um balanço sem hesitar: “Tenho uma velhice realmente impecável. Sou muito feliz.”
É talvez essa a lição mais bonita. Chegar aos 100, aos 101 ou aos 103 anos é extraordinário. Mas, entre as memórias, as ausências e os dias que continuam a chegar, há outra conquista, menos visível: sentir que ainda se pertence a algum lugar. E poder dizer, como tantos residentes do Lar Graça de São Filipe, que esse lugar é casa.

Continue a leitura com uma das opções abaixo.

Ainda não tem conta? Criar conta gratuitamente

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

Coimbra