O impacto da desinformação na democracia
A desinformação e as notícias falsas constituem uma ameaça do sistema político de qualquer País e um risco para a sua Democracia. Sem dúvida que a liberdade de expressão é um direito sagrado e inalienável. Mas é-o também o dever da verdade e o dever do respeito pelos direitos de “O Outro”.
Ora, vem-se assistindo nas redes sociais à divulgação de notícias, em torrente de verdades, meias-verdades e falsas-notícias, que os seus autores sabem serem espalhadas rapidamente sem grande esforço. Corre-se atrás do sensacionalismo (talvez porque isso gera “audiências” … e é pela percentagem de audiências que hoje se mede o sucesso de cada meio-social), criam-se bolhas informativas de erro (servindo-se do ditado português de que “onde há fumo há fogo”) … e ninguém se preocupa com a veracidade dos factos.
Vejam-se, a título de exemplo, as “telenovelas” da piscina/tanque, atrelado/bidões, factos de Secretaria, etc. do Ministério da Administração Interna que durante semanas ocuparam todos os meios de comunicação social e de que se deixou de falar quando surgiu a “telenovela Cristiano Ronaldo”… transmitida em modelos para todos os gostos, durante horas e horas seguidas, em simultâneo em quatro ou cinco canais de TV! E durante essas semanas, esqueceu-se a Ucrânia, o Irão … e, até, a subida dos combustíveis e consequente aumento do custo de vida!….
Isto conduzirá ao descrédito nos jornalistas e nos comentadores (que hoje são às dezenas, mas alguns com credenciais de preparação e credibilidade que ninguém conhece) e à perda de confiança nas Instituições, passo rápido para o populismo descontente, a polarização e o extremismo. Diz-se que o erro é o início da sabedoria e que a adversidade é a escola de sucessos, mas, infelizmente, tal não parece estar a acontecer em Portugal.
Continuamos a assistir a entrevistas televisivas com dirigentes políticos sentados no Estúdio e durante meia hora ou mais, enquanto outros nunca aparecem ou só aparecem (são “apanhados”) na rua ou à entrada ou saída de sessões, de pé e durante poucos minutos; entrevistas onde não só é evidente o comprometimento ideológico dos entrevistadores, que apenas formulam as perguntas que entendem, sem irem ao cerne das questões, como, depois, vêm os grupos de comentadores de cada canal de TV, alguns ficando apenas pelos pontos que mais lhes interessam … e nem sempre os que mais interessaria esclarecer a toda a população!…
Continuamos a ter uma literacia mediática que se limita, por vezes ao longo de um dia, a cruzar dados (nem sempre rigorosos) acerca de um qualquer episódio que considerou sensacional naquele dia. Repete-o não sei quantas vezes e, porque não, falaciosamente, usa a armadilha de esconder outras notícias que, por qualquer motivo, não lhe interessa mostrar ou, eventualmente, haverá até interesse em esconder.
Não haverá processos de poder identificar a informação manipulada?
Não haverá processo de rapidamente se cruzar a desinformação com a informação falseada e acabar com isso? Não é fazer censura. É definir e aplicar (e volto a dizer, rapidamente) os critérios e desafios para se viver em Democracia!?… É que o crescimento da boataria está a fazer-se a tão grande velocidade que mina as Instituições Democráticas!…
Nem toda a ferida cicatriza, mas ensina … e cada momento que passa traz-nos sempre uma nova História.
