Desporto é vida
Uma das memórias que mais saudades me deixam da minha juventude em Coimbra é a das tardes de Primavera em que corria com os meus amigos pela Avenida Sá da Bandeira e atravessava a Baixa, a “fintar” estudantes de capa negra. Quando chegávamos ao Estádio Universitário, sentia-se o cheiro a relva pronta para um treino de rugby.
Experimentei judo, futebol, basketball, natação, até que, com 7 ou 8 anos, o mítico Vasile Constantin viu-me a assistir a um treino de rugby e disse, com o seu sotaque romeno característico: “Tu és grande rapaz, vem jogar rugby”. Aos meus olhos, não podia dizer “não” a um gigante de 1,95m que me deu uma “ordem” simpática com um sorriso largo. Assim começou uma paixão para a vida.
Tal como os meus amigos, dediquei-me a um desporto desde cedo. Achava normal treinar 3 ou 4 vezes por semana, durante 1h30 ou 2h, e competir ao fim de semana, muitas vezes fora de Coimbra – no rugby, sobretudo em Lisboa.
Hoje, o meu filho de 6 anos faz futebol, natação, hóquei em campo e nippers (atividades de praia onde se aprende segurança no mar). Eu cresci a achar normal dedicar-me a um desporto; ele cresce a praticar vários ao mesmo tempo.
Aqui há desportos de Verão e de Inverno, com treinos mais curtos e sem viajar mais de 15 ou 30 minutos. No nosso clube local, o futebol tem um treino semanal e um jogo ao fim de semana no Inverno. No Verão, passa a um jogo durante a semana; o rugby passa a um jogo de touch rugby. No fim, há salsichas no barbecue.
Assim, a pergunta não é que desporto praticas, mas que desportos praticas.
A organização também é diferente – são sobretudo pais voluntários que asseguram os treinos e jogos. O acompanhamento técnico depende de quem se disponibiliza e não de quem o clube escolhe.
Na minha juventude, o desporto criava o convívio e as amizades entre jogadores e treinadores. Aqui, frequentemente, o desporto é a desculpa para os pais conviverem, mesmo que não se envolvam no desporto.
Em breve vou experimentar o cricket. A promessa é a sexta-feira acabar com miúdos a bater os tacos e graúdos a bater os copos de cerveja e de espumante.
Na altura achava normal ter treinos regulares, treinadores certificados, competição regular e transporte para jogos em Lisboa, praticamente de graça. Hoje percebo a sorte que tive e o incrível papel social que a AAC desempenha.
