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Associação denuncia a presença recorrente de cães presos ou acorrentados
As antigas instalações da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, na Arregaça, continuam a ser usadas como abrigo por pessoas e animais, num cenário de degradação e insalubridade que se prolonga há vários anos.
Desta vez, o alerta parte da associação Os Patudos – Resgate e Proteção Animal, que considera que “Coimbra não pode continuar a normalizar uma situação que junta vulnerabilidade social, abandono animal e riscos associados às condições do imóvel”.
Num comunicado enviado ao DIÁRIO AS BEIRAS, a associação dá conta de novas ocorrências nas antigas instalações, propriedade privada e com acessos desprotegidos. A par da situação social, denuncia a presença recorrente de cães presos ou acorrentados.
Recentemente, retirou do local três animais, entre os quais um Labrador que terá permanecido no interior durante cerca de 24 horas.
São intervenções que, segundo a organização, se repetem ao longo dos anos, sem resolver o problema de fundo. “Não basta resgatar hoje dois cães se amanhã aparecerem outros”, sublinha a associação, defendendo uma intervenção articulada das entidades responsáveis.
A situação envolve também pessoas que procuram naquele espaço uma forma de abrigo. Recentemente, foi observada no local uma mulher em estado avançado de gravidez, a viver, segundo Os Patudos, sem condições de dignidade ou habitabilidade, numa situação que, considera, “reforça a necessidade de acompanhamento social”.
A associação recorda ainda que aquele local já foi palco de acontecimentos “particularmente graves”. Em fevereiro de 2024, uma mulher foi encontrada sem vida no interior das antigas instalações, estando o cadáver já em elevado estado de decomposição. O caso chegou a ser abordado numa reunião da Câmara Municipal de Coimbra. Posteriormente, foram também noticiados episódios de incêndio nas instalações, com mobilização de bombeiros e autoridades.
Articulação entre diferentes entidades
Perante este cenário, a associação defende uma resposta conjunta que passe pelo acompanhamento social das pessoas que permanecem no espaço, proteção dos animais, fiscalização policial e responsabilização dos proprietários, nomeadamente para garantir a vedação dos acessos e impedir novas ocupações.
Os Patudos vão ainda formalizar denúncias junto do Ministério Público, através do DIAP de Coimbra, da PSP e do Município de Coimbra. A associação apela igualmente à presidente da Câmara Municipal, Ana Abrunhosa, para que promova a articulação entre as diferentes entidades.
“Coimbra não pode habituar-se a ver seres humanos a viver nestas condições” e “não pode habituar-se a encontrar animais presos e em sofrimento naquele espaço”, sustenta a associação, que rejeita confrontos ou iniciativas individuais e defende uma intervenção “de raiz”.
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