Instituto Miguel Torga surpreendido com decisão do Conselho Geral da Universidade de Coimbra
Fotografia: Arquivo Pedro Filipe Ramos
O presidente do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) afirmou hoje que a rejeição pelo Conselho Geral da Universidade de Coimbra de integração daquela instituição foi “inesperada”.
Na sexta-feira, o Conselho Geral da Universidade de Coimbra determinou que não “existem condições de momento” para “qualquer diálogo” sobre uma eventual integração do Instituto Superior Miguel Torga, instituição de ensino superior privada detida pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC).
Em declarações à agência Lusa, o presidente do ISMT, Manuel Castelo Branco, afirmou que respeita “integralmente” a decisão do órgão máximo da Universidade de Coimbra (UC), mas confessou que o ato “foi inesperado”.
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O memorando de entendimento entre ISMT, UC e CIMRC que foi apresentado em Conselho Geral “era um documento que assegurava os interesses de todas as partes e respondia a todos os eventuais cenários”, disse.
“O memorando proposto acautelava todos os aspetos relevantes, quer para o Miguel Torga, quer para a CIM, quer para a Universidade de Coimbra”, notou.
Segundo Miguel Castelo Branco, o documento apontava para diferentes possibilidades e soluções de cooperação entre as duas instituições, sendo o modelo defendido pelo ISMT o do consórcio e não de uma integração jurídica.
“O memorando era completamente aberto e completamente reversível”, salientou.
Apesar disso, o presidente do ISMT sublinhou que o Conselho Geral rejeitou uma eventual integração no presente momento, mas disse acreditar que esse passo seja feito no futuro.
“Esperamos que seja apenas uma pausa no processo”, vincou.
Questionado sobre se o processo estará em pausa por pelo menos durante um mandato reitoral – o atual Conselho Geral que rejeitou por unanimidade a integração irá eleger o próximo reitor no início de 2027 -, Manuel Castelo Branco disse que não.
“É um processo que, devidamente explicado e compreendido, permitirá colocar nos carris muito em breve”, disse.
A curto prazo, o ISMT irá trabalhar “em cenários alternativos”, referindo que já recebeu abordagens “de várias instituições públicas e privadas”, havendo a possibilidade de avançar com consórcios com diferentes entidades “em áreas distintas”.
O Conselho Geral deu nota da reunião realizada na sexta-feira, em que ficou “assente e decidido que não existem condições de momento para prosseguir qualquer diálogo que pudesse conduzir a uma eventual integração” do ISMT na Universidade de Coimbra (UC), afirmou aquele órgão, numa nota enviada à comunidade académica a que a agência Lusa teve acesso.
A decisão surge depois de o ISMT, instituição de ensino superior privada detida pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC), ter afirmado, em julho, aquando da sua deslocalização para a Baixa da cidade, que estava a ser estudado um modelo de integração na UC.
Na altura, o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, falou de várias soluções possíveis, vincando que estava “absolutamente certo” de que as duas instituições teriam “um futuro em comum, de uma forma ou de outra”.
Nesse mesmo momento, Amílcar Falcão afirmou que, em setembro, seria apresentada uma proposta ao Conselho Geral.
No passado, a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) decidiu não acreditar o Instituto Superior Miguel Torga, determinando o seu encerramento, decisão que é contestada em tribunal pela instituição.