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Festa D’Anaia em Cantanhede celebra produção de vinho e música feita em Portugal

29 de setembro de 2026 às 09 h38
Fotografia: Festa D' Anaia

Portugal tem pelo menos 14 aldeias, maiores e mais pequenas, de nome Pena, mas só uma, no município de Cantanhede, celebra numa festa peculiar, intitulada D’Anaia, a produção local de vinho e a música de origem portuguesa.

Não fosse a pandemia de covid-19, em 2020, e a Festa D’Anaia – nome com raízes históricas, ligada geograficamente ao lugar da Pena, localizado seis quilómetros a sudeste da sede daquele concelho do distrito de Coimbra – celebraria, este ano, a 10.ª edição e não as nove que, efetivamente, cumpre.

Já lá vamos ao cartaz musical – que, ainda assim, junta, em 09 e 10 de outubro, PAUS, Mães Solteiras, Ganso ou Sean Riley & The Slowriders, entre outros – e centremo-nos, ao invés, nas características do evento, que foi buscar o nome às terras, antigas propriedades do Conde D’Anaia, onde a associação promotora, o Centro Cultural e Recreativo da Pena, fundado em 1957, está localizada.

 

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João Faria é um dos responsáveis pela animação e eventos da associação, ele que já passou pela direção do clube, do qual agora é ‘apenas’ sócio, mas teve de deixar as funções após ter sido pai, duas vezes, “e não ter tempo para tudo”.

Lembrou que a ideia de fazer um festival de música na Pena remonta a 2017, ano em que a primeira edição foi concretizada: “Se é para fazer uma coisa, gosto de a fazer bem. Queríamos uma festa em condições e ter um bom nome, e foi o Samuel Úria o escolhido”, disse João Faria à agência Lusa.

O problema é que o orçamento disponível não chegava para levar à Pena a banda do cantor e compositor português e a solução passou por um registo em duo, com Samuel Úria acompanhado por Miguel Ferreira, teclista dos Clã.

O alinhamento da Festa D’Anaia não se esgota, porém, num único palco, mas faz questão de manter três: o festival “começa sempre com um concerto em adega” – e já passou por várias – e, este ano, a exemplo de 2025, a escolha recaiu numa num terraço de uma casa particular.

“Na adega em causa já se fez muito vinho, ainda tem muito material vínico, agora já não produz, a proprietária já tem mais de 80 anos, mas abre a casa ao festival”, frisou João Faria.

Para além da música, a experiência inclui a prova de “seis ou sete vinhos, todos de produtores locais da Pena”, na região vitivinícola da Bairrada, acompanhada de uma mesa com petiscos variados, num primeiro momento entre as 16:00 e as 19:00.

Depois, as festividades continuam no centro da aldeia e logo num local histórico: o Grémio, ou, por outras palavras, o local onde o clube recreativo foi fundado e cujo bar “está tal e qual como estava há 26 anos”, quando a associação sem fins lucrativos de lá saiu para novas instalações.

É nestas, as mesmas que possuem um bar “aberto todos os dias do ano, à noite, sem hora de fechar”, que a Festa D’Anaia tem o palco principal, onde atuam, em cada uma das duas noites, três bandas, com o encerramento sempre a cargo de um ‘DJ set’.

A fome, essa, é alimentada por uma tenda onde se servem refeições, sendo a “chanfana típica da Pena” um dos pratos em destaque.

A programação da Festa D’Anaia junta, nos dois dias, 12 artistas, com destaque para Sean Riley & The Slowriders, “que estavam um bocadinho parados e se conseguiu trazer”, e os PAUS, “que vão acabar, é a última digressão que fazem” e também vão passar pela aldeia da Pena.

O resto do alinhamento propõe Mães Solteiras, Ganso, Birds Are Indie, Plaka, Pedrinho Xalé, Them Flying Monkeys, Bad Tomato, Correr Andar, Sir Dinha Blues Band, Cristiano Neves e os ‘DJ set’ de Erro Crasso e de Bunny o’Williams.

“O processo de escolher as bandas cabeças de cartaz tem duas coisas importantíssimas: em primeiro, o nosso gosto musical e, em segundo lugar, que é a realidade, temos de trazer bandas que tragam público, ponto final. Estamos no meio de uma aldeia, na zona Centro, junto à cidade de Coimbra, mas trazemos mais gente da zona de Aveiro do que de Coimbra. Temos de pagar as despesas e temos de trazer bandas que tragam gente”, vincou João Faria.

“Também trazemos bandas que muita gente desconhece, emergentes, que sejam boas, e as pessoas confiam no nosso trabalho, há pessoal que vem ‘às cegas’ e acaba por adorar bandas que não conhece. Por isso, notamos um crescimento de espetadores de ano para ano, mais de metade das pessoas que aparecem na festa D’Anaia eu não as conheço e isso é um bom sinal, estamos a ir buscar muito mais gente de fora do que de perto”, argumentou.

E não se pense que a Festa D’Anaia é uma coisa promovida e organizada pelos mais jovens, porque na Pena “toda a gente ajuda”: “Temos malta nova no clube, mas trabalho com o meu pai, a minha mãe, os meus tios, o fixe cá é que toda a gente se envolve (…) Os mais velhos são os primeiros a alinhar, já nos conhecem desde miúdos”, sublinhou.

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