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Lúcia Santos, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Farmacêuticos | Fotografia: Ana Catarina Ferreira
De que forma é que será assinalado o Dia Nacional do Farmacêutico no Centro?
O Dia Nacional do Farmacêutico é sempre um momento importante para nós. É um dia de celebração, mas também uma oportunidade para dar visibilidade externa à profissão. As celebrações são sempre de âmbito nacional, e a organização é assumida, de forma rotativa, pelas três Secções Regionais da Ordem. Este ano, cabe à Secção Regional do Norte acolher as comemorações, que terão lugar no Porto. No próximo ano, 2027, será a vez de Coimbra.
Quais são os principais desafios, para os próximos anos, para o setor na Região Centro?
Desafios são vários, mas ocorrem-me três. O primeiro é aproveitar melhor as competências dos farmacêuticos. Temos profissionais altamente qualificados e precisamos de os integrar cada vez mais nos percursos de cuidados, particularmente numa região envelhecida, onde a doença crónica, a polimedicação e a necessidade de proximidade assumem especial relevância. O segundo é a coesão territorial. A Região Centro é muito heterogénea. Temos grandes centros urbanos, mas também territórios de baixa densidade, muito envelhecidos, onde uma farmácia pode ser o único serviço, de prestação de cuidados de saúde de proximidade, que subsiste. E o terceiro é precisamente o talento: captar, fixar e criar condições para que os jovens farmacêuticos que formamos na Região Centro encontrem aqui oportunidades profissionais estimulantes.
Falou da fixação do talento… A ordem tem registado inscrições de novos profissionais formados nas universidades do centro do país?
Em 2025, a Secção Regional do Centro registou 157 novas admissões, depois de 130 em 2024 e 122 em 2023. Ou seja, temos assistido a um crescimento consistente: são mais 35 novos membros do que há dois anos, o que representa um aumento de cerca de 29%. É também o valor mais elevado registado na Região Centro, na última década. A nível nacional, 2025 registou igualmente uma subida, com 685 novas inscrições na Ordem dos Farmacêuticos. É um sinal positivo e demonstra que continuamos a ter jovens a escolher a profissão farmacêutica. Aliás, há um dado particularmente relevante para a nossa região: entre os novos farmacêuticos inscritos em 2025 provenientes de universidades públicas, 182 concluíram a sua formação na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e 27 na Universidade da Beira Interior. Mas é precisamente aqui que começa o outro lado da questão. Formar talento não significa necessariamente conseguir fixá-lo. E quando falo em fixação não penso apenas em Coimbra, Aveiro ou Viseu. Preocupa-me particularmente o interior e os territórios onde já sentimos maior dificuldade em captar profissionais. Por isso, estes 157 novos farmacêuticos são uma excelente notícia. Mas o indicador que verdadeiramente me interessa acompanhar nos próximos anos é outro: quantos conseguimos que escolham a Região Centro para construir o seu percurso profissional.
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