Coimbra

“Rigoroso plano de monitorização” das visitas à Biblioteca Joanina

25 de setembro de 2026 às 15 h00
Alfredo Dias desempenha funções de vice-reitor da Universidade de Coimbra para o Património, Edificado e Turismo. Foto: DR

Como universidade inscrita na Lista do Património da Humanidade – uma das seis do mundo com este estatuto – a Universidade de Coimbra tem responsabilidade acrescida na preservação do património, conciliando “as suas missões principais com a visitação dos seus espaços”, afirma Alfredo Dias

A UC é o maior polo de atração turística de Coimbra. Como concilia a vertente de lecionação e investigação da universidade com a visitação turística?
Historicamente, a Universidade de Coimbra sempre se assumiu como uma instituição aberta ao mundo, caracterizando-se por ter uma dimensão internacional, particularmente no mundo lusófono, e uma relação profunda de proximidade com a própria cidade de Coimbra. Nesse sentido, a Universidade sempre conseguiu conciliar as suas missões principais – ensino, investigação e inovação – com a visitação dos seus espaços.
Por outro lado, a classificação pressupõe a conciliação, já que somos uma Universidade inscrita na Lista do Património da Humanidade. No momento em que a conciliação deixasse de existir, deixaria de existir um dos pilares basilares da classificação.
Esta é, sem dúvida, uma marca central e distintiva deste património.

Como está estruturada a visita turística à universidade? Tudo está concentrado no Polo I, ou existem outros fatores de atração noutros locais?
Considerando o património classificado, a visita turística à Universidade está, naturalmente, estruturada em torno do Polo I. Porém, a atual oferta turística que a Universidade de Coimbra apresenta é bastante diversa e enriquecedora: o complexo monumental do Paço das Escolas (com especial destaque para a Biblioteca Joanina e a Sala dos Capelos), o Museu da Ciência, o Jardim Botânico, entre outros espaços.
A prazo, a forte aposta na diversificação poderá vir a englobar outras zonas da Universidade.

Como se refletiu a classificação de património da Unesco (há 13 anos) na procura turística e que respostas a universidade deu a essa procura?
Desde então houve um acréscimo de visitantes e uma procura mais diversificada, a vários níveis: por exemplo, tipologias de público, objetivos dos visitantes ou origem dos visitantes.
Essa procura trouxe consigo desafios, como a pressão sobre alguns espaços, de que é exemplo claro a Biblioteca Joanina. Para os ultrapassar implementou-se um rigoroso plano de monitorização, com consequentes ações recorrendo ao melhor conhecimento existente, com o apoio da nossa Academia, ou seja, o nosso Património ao serviço da comunidade numa relação simbiótica com a investigação e a inovação da Universidade.

O turismo tem sido fator de aceleração de obras de requalificação do património histórico da universidade?
O crescimento da atividade turística trouxe mais responsabilidades e garantiu alguns recursos adicionais, naturalmente bem-vindos, mas não diria que seja um fator de aceleração decisivo, visto que o programa de intervenções – no património edificado, mas também no integrado – é, na sua essência, a face mais visível de um plano estratégico de valorização e preservação do património da Universidade. A prova disso mesmo é o facto da maioria do valor investido em requalificação ter sido aplicada em edifícios que não estão integrados no circuito de visita, de que são exemplos o Edifício Central ou o Colégio das Artes.

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